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Sancionada em dezembro e em teste pelo governo até 2014, a
desoneração da folha de pagamentos para setores da economia
recebe críticas pouco depois de entrar em vigor. Empresários
defendem a diminuição das alíquotas e que a adesão ao sistema se
torne opcional. Eles alegam que o novo regime beneficia apenas
uma pequena parcela das empresas, criando desigualdades dentro
dos setores contemplados.
Para os empregadores, a mudança no pagamento da contribuição dos
patrões à Previdência Social só reduz a carga tributária para as
empresas intensivas em mão de obra. As empresas mais
automatizadas, na prática, passaram a pagar mais. Nas
estimativas do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis no
Estado de São Paulo (Sescon-SP), o novo sistema é vantajoso
apenas caso o custo com os empregados represente mais de 10% do
faturamento.
Presidente do Sescon-SP, José Alcazar disse que, em um momento
em que a tecnologia ganha força e diversos setores da economia
passam por um processo de automatização, a mudança na forma de
recolhimento encarece os custos com a mão de obra e reduz a
competitividade. “Não é à toa que a indústria de móveis, que
está se automatizando, foi ao Congresso e pediu para ser
excluída do novo regime”, destaca.
Anunciada em agosto do ano passado, como parte do Plano Brasil
Maior (nova política industrial do governo), a desoneração da
folha de pagamento mudou a forma como as empresas de cinco
setores pagam a contribuição dos empregadores ao Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). Em vez de pagarem 20% sobre a
folha de pagamento, esses segmentos passaram a recolher um
percentual sobre o faturamento.
Para as empresas de tecnologia da informação e de call center, a
contribuição passou para 2,5% do faturamento. Para as confecções
e as indústrias de calçados e de artefatos de couro, o
percentual corresponde a 1,5%. O novo sistema vigora até 2014,
quando o governo se reunirá com os setores contemplados e
avaliará se esse modelo pode ser estendido a outros setores da
economia.
Alcazar defende que o governo altere a legislação para permitir
que os empresários escolham se querem mudar a forma de
recolhimento ou permanecer no sistema tradicional, opinião
compartilhada pelo diretor superintendente da Associação
Brasileira da Indústria de Tecidos (Abit), Fernando Pimentel.
“Já que o sistema está em fase de teste, as empresas deveriam
ter o direito de escolher em qual regime querem ficar, mas o
governo, na época das negociações, alegou que não teria como
controlar isso”, disse.
Segundo a Abit, a alteração no recolhimento teve efeitos
contraditórios no setor de confecções. Entre 55% e 60% das
empresas do segmento tiveram algum benefício, mas 35% foram
prejudicadas, e de 5% a 10% ficaram na mesma. “Como a tendência,
no longo prazo, é as indústrias se automatizarem cada vez mais,
certamente o percentual de empresas prejudicadas vai aumentar
nos próximos anos”, declarou. Ele sugere que a alíquota sobre o
faturamento seja reduzida para 0,8% a fim de recalibrar essas
desigualdades.
Alcazar adverte que, se o modelo não sofrer ajustes, o resultado
pode ser o aumento no uso de artifícios para pagar menos
impostos. “Muitas empresas vão se dividir em duas: uma com mão
de obra intensiva e outra em que os empregados têm peso menor.
No futuro, haverá problemas. Esse planejamento tributário não
chega a ser ilegal, mas é combatido pela Receita Federal, que a
todo tempo baixa normas para coibir essa prática”, explicou.
Fonte: Agência
Brasil
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