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O diretor da Federação
Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes
(Fecombustíveis) Ricardo Vianna afirmou que a decisão do governo
de mudar a classificação do etanol (de produto agrícola para
combustível estratégico) "atende à antiga reivindicação da
categoria". Haverá, segundo ele, maior regulação do setor,
porque o produto "só se tornava combustível, e não meramente um
produto agrícola, quando era emitida nota fiscal na saída da
usina para redirecionamento à distribuidora".
O controle que será feito pela Agência Nacional do Petróleo
(ANP), determinado por medida provisória assinada ontem (29)
pela presidenta Dilma Rousseff, segundo ele, "pelo menos resolve
a questão da definição".
Vianna teme que o preço da gasolina seja muito afetado pela
escassez que começa a se verificar no mercado revendedor e que
seja necessário importar o derivado de petróleo, que custa 20% a
mais no exterior. A escassez do etanol provocou aumento do
consumo de gasolina, que já começa a faltar em algumas cidades
do país, segundo ele.
O pesquisador da Embrapa e especialista em agroenergia José
Manoel Cabral acredita que o governo passa a ter condições de
"implementar um plano estratégico, através da ANP, para aumentar
a produção de álcool. Com a mudança do status do combustível,
que passa para a categoria de insumo estratégico, haverá melhor
condição para planejar a produção e a distribuição, com
regulação do percentual de mistura [de álcool na gasolina]".
Para o diretor técnico da União Nacional da Indústria de
Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, "é de se
esperar a instalação de novas unidades de processamento da
cana-de-açúcar como aconteceu entre 2005 e 2008 e, também, o
aumento da lavoura para aumentar a fabricação do etanol". Essa
será, segundo ele, a solução para regularizar o abastecimento
interno do álcool combustível. Em 2005, havia um cenário muito
positivo de produção e o Brasil saiu de um estoque de 300 mil
toneladas de cana para 600 mil toneladas anuais.
Na época, o número de usinas cresceu na mesma proporção, segundo
Pádua Rodrigues, mas, a partir de 2008, houve retração da oferta
de etanol e não se viu mais a instalação de novas plantas. Por
isso, o diretor da Unica alertou que o investidor precisa ter
segurança de retorno financeiro do negócio, pois é preciso
gastar dezenas de milhões de dólares em novas usinas. A redução
do percentual mínimo de mistura do álcool à gasolina de 20% para
18%, decidida ontem, é uma medida que pode ajudar apenas em
momentos pontuais, segundo ele.
O economista e pesquisador do Núcleo de Economia Industrial da
Unicamp (SP) Fernando Sarti estima que a baixa produção atual de
etanol "é bastante preocupante e mostra que há desorganização
entre estoques e demanda. Para que o mercado do etanol seja
estável, é preciso pensá-lo para [alcançar] uma estabilidade de
fornecimento nos próximos vinte anos, levando em consideração
não apenas o mercado doméstico, mas, também, o internacional. O
fato de os mercados de energia estarem bastante concentrados em
todo o mundo é um desafio maior para o planejamento de longo
prazo", disse o pesquisador.
Os quatro especialistas participaram esta manhã do programa
Revista Brasil, da Rádio Nacional, que discutiu as medidas
tomada ontem pelo governo para enfrentar a crise do etanol e a
situação atual do mercado de combustíveis no país.
Fonte: Agência
Brasil
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