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A Federação Nacional do Comércio
de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) repudia as
acusações de formação de cartel feitas contra os postos de
combustíveis em todo o Brasil e lembra que a alta da gasolina é
consequência direta da escalada de preços averiguada no etanol
anidro, o qual é adicionado à gasolina A no percentual de 25%
para formar a gasolina C, a comercializada nas bombas.
“Trabalhamos num mercado extremamente competitivo, no qual cada
centavo faz diferença na hora de atrair o consumidor e nos
interessa vender cada vez mais. Além disso, como falar em
aumentos abusivos diante das fortes elevações verificadas no
custo do etanol na usina? Os números mostram, inclusive, que os
postos, na média, absorveram grande parte da alta, ou seja, não
repassaram tudo ao consumidor”, explica Paulo Miranda Soares,
presidente da Fecombustíveis.
A recente elevação nos preços do etanol nas usinas teve início
em junho do ano passado e ganhou fôlego com a entressafra. De lá
até o início de abril, o litro do anidro na usina (sem frete ou
impostos) subiu 144%, de acordo com dados do Centro de Estudos
Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo
(Cepea/USP), o que gerou um impacto de 16% sobre o custo final
da gasolina na média Brasil. No mesmo período, a gasolina
aumentou 11% na distribuição e 9,3% nos postos, também na média
Brasil, segundo o levantamento de preços da ANP. Somente de
janeiro a abril de 2011, os preços do anidro na usina
registraram acréscimo de 66,5%, elevando em 10% o custo da
gasolina. Na distribuição e revenda, no entanto, os preços
subiram cerca de 6,5%.
No caso particular de Natal (RN), é importante destacar que, ao
aumento do anidro nas usinas, soma-se ainda a elevação da carga
tributária. Além de a alíquota de ICMS ter subido de 25% para
27% para cada litro de gasolina, aumentou também a base sobre a
qual incide a tributação, de R$ 2,5831 para R$ 2,6550, o que
resultou em um acréscimo médio de R$ 0,07 no custo. De forma
geral, o custo médio da gasolina, só considerando o impacto da
tributação e do anidro, subiu 12% de janeiro a abril no Rio
Grande do Norte, enquanto os preços tiveram acréscimo na bomba
de 8% em igual período, o que comprova que os postos sequer
repassaram toda a elevação para o consumidor.
Quanto às acusações de cartel, é importante lembrar que, em um
mercado extremamente regulamentado como o de combustíveis, é
comum confundir o que se chama de “paralelismo consciente de
ação” com combinação de preços. O paralelismo nada mais é do que
a prática de um determinado concorrente pautar o seu
comportamento comercial pela atitude dos seus competidores, com
um posto acompanhando as variações do outro para não perder
clientes. Importante ainda ressaltar que preços semelhantes são
esperados num mercado que apresenta custos similares: um só
preço na refinaria, distribuição extremamente concentrada
(quatro empresas respondem por 80% do mercado) e salários dos
funcionários definidos em convenção coletiva, por exemplo.
Reconhecendo tal situação, a Secretaria de Acompanhamento
Econômico (SEAE) publicou um documento de trabalho que propõe
uma nova metodologia para identificar cartéis e evitar
investigações com base em percepções errôneas. O documento,
disponível no endereço
http://www.fecombustiveis.org.br/images/flippingbook/documento_cartel.pdf,
reconhece que não são suficientes para determinar que há cartel
fatos como o paralelismo de comportamento comercial (em
particular a semelhança ou igualdade de preços), a
simultaneidade dos reajustes e, tampouco, a discrepância entre
preços de municípios diversos.
Por fim, a Fecombustíveis lembra que é contra qualquer tipo de
acordo ou combinação de preços e cobra punição para todos
envolvidos em condutas ilícitas. Vale destacar, inclusive, que o
setor de revenda de combustíveis é um dos que mais pedem
fiscalização junto à ANP, Secretarias de Fazenda e demais
órgãos, como forma de coibir práticas irregulares que ainda
persistem no mercado, prejudicando empresários honestos,
consumidores e os cofres públicos. Estima-se que somente no
etanol a elisão fiscal chegue a R$ 1 bilhão. E o empresário que
sonega impostos já sai com uma vantagem de pelo menos R$ 0,30
por litro, o que lhe permite vender mais barato não somente o
etanol, mas também a gasolina e o diesel. Chega-se ao absurdo
de, em algumas cidades, haver posto vendendo etanol na bomba
pelo mesmo preço que as distribuidoras oferecem o combustível a
seus postos. O agravante desse fato é que, muitas vezes, o preço
praticado pelo sonegador ou adulterador é apontado como
referência pela mídia e autoridades públicas, que cobram do
empresário honesto aquele mesmo valor na bomba de seu posto.
A Fecombustíveis lembra que o mercado é livre em todas as suas
etapas, cabendo a cada distribuidora e posto definir a margem
mais adequada a sua estrutura de custo. Entretanto, como ocupam
a ponta final da cadeia, com preços exibidos com grande
visibilidade, cabe sempre aos postos a tarefa de vir a público
justificar eventuais distorções e discrepâncias que ocorrem em
outros elos do abastecimento.
A Fecombustíveis representa os interesses de cerca de 38 mil
postos de serviços que atuam em todo o território nacional, 370
TRR´s e 40 mil revendedores de GLP, além do mercado de
lubrificantes.
Fonte:
Fecombustíveis |