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Receita
Federal aperta o cerco sobre empresas devedoras |
A Receita Federal fechou o cerco contra empresas que reincidem
no descumprimento das obrigações tributárias. A partir de 2010,
o órgão vai intensificar a fiscalização de pessoas jurídicas que
reiteradamente estão com impostos em atraso.
As novas regras constam de instrução normativa publicada hoje
(17) no Diário Oficial da União. Com a medida, a Receita poderá
reforçar a fiscalização desses contribuintes suspeitos,
incluindo a presença permanente de auditores fiscais nas
empresas e o registro eletrônico de todas as operações num
programa de computador fornecido pelo órgão, além do controle
sobre a emissão de documentos e notas fiscais.
Os devedores contumazes também poderão ter o período de
recolhimento reduzido pela metade. Assim, em vez de esperar até
o final de janeiro para pagar os tributos relativos a dezembro,
a empresa terá de recolher tudo até o dia 15 do mês seguinte.
Segundo o subsecretário de Fiscalização da Receita, Marcos
Vinicius Neder, a fiscalização tem como objetivo coibir a
inadimplência, principalmente entre as pequenas e médias
empresas, e não está concentrada em setores específicos, mas em
toda a economia. Ele, no entanto, disse não ser possível estimar
o número de empresas que podem ser atingidas pela nova regra.
“As delegacias regionais da Receita conhecem os devedores
contumazes. Como os próprios auditores indicarão as empresas
suspeitas e esse procedimento ainda não foi posto em prática,
não dá para prever quantos contribuintes podem ser atingidos
pela medida”, justificou Neder.
O reforço na fiscalização também será aplicado para empresas que
impedirem a fiscalização da Receita, não fornecendo livros e
documentos ou negando acesso ao estabelecimento. A medida valerá
ainda nos casos em que os auditores constatam o controle da
empresa por pessoas que não sejam os verdadeiros titulares,
sócios ou acionistas.
O procedimento estava autorizado por uma lei de 1996, mas em 13
anos, segundo o subsecretário, só foi aplicado quatro vezes por
problemas operacionais. “Antes, era o próprio secretário da
Receita que tinha de autorizar o reforço da fiscalização empresa
por empresa. Agora, a ordem virá das superintendências
regionais.”
De acordo com Neder, o reforço na fiscalização contra devedores
reincidentes restringirá a concorrência desleal, na medida em
que menos empresas passarão a tirar vantagem da sonegação e
competir de forma ilegal. “Diversas decisões do Supremo
[Tribunal Federal] proíbem a Receita de fechar os
estabelecimentos sob suspeita. Então, decidimos intensificar a
fiscalização na boca do caixa.”
Fonte: Agência Brasil
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