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Parlamentares e empresários defendem, em debate, aumento
do mercado de gás natural |
A Assembleia Legislativa do Rio
sediou, nesta segunda-feira (16/11), o debate “Gás natural:
distribuição, regulação e desenvolvimento sustentável”,
promovido pelo Fórum de Desenvolvimento do Rio. Durante o
encontro, foram feitas projeções da produção no estado, em
ascensão, e discutidas medidas para fortalecer o mercado do
estado, que é o maior produtor do País, com 40% da produção e
47,5% das reservas do Brasil. Para o presidente da Alerj e do
Fórum, deputado Jorge Picciani (PMDB), o debate serviu para
apontar tendências e fornecer insumos para o planejamento de
longo prazo.
"Já havíamos debatido a questão do gás natural em 2007, quando a
crise com a Bolívia ameaçou paralisar a distribuição em nosso
estado. Mas é muito melhor discutir durante uma conjuntura
favorável, de recuperação da economia e grande oferta de gás",
avaliou. "Quando você gira a roda a favor, de forma propositiva,
ganha a sociedade como um todo: isso se transforma em geração de
emprego, qualificação de mão-de-obra, redução do desemprego e
aumento da arrecadação. Ou seja, mais riqueza, distribuição de
renda e mais oportunidades", completou Picciani.
"É interessante que estejamos novamente reunidos para avaliar o
tema do ponto de vista propositivo, sob diversos aspectos,
inclusive no que diz respeito à questão tributária”, argumentou
Picciani, fazendo referência ao projeto de lei aprovado pela
Casa há uma semana, que criou alíquota de 12% de ICMS para o gás
natural queimado na extração.
Autor do projeto em questão, o deputado Luiz Paulo (PSDB),
defendeu a criação de uma política nacional de preços, uma vez
que o gás no estado tem preço estabelecido pela Petrobras, que
faz a extração. Ele lembrou que na ocasião da crise de 2007 –
que fez a Petrobras direcionar o gás para o abastecimento das
termoelétricas, em detrimento do mercado – um projeto conjunto
que estabelecia prioridades no abastecimento fez com que a
decisão fosse revista. “Agora precisamos de igual empenho para
trazer à Casa a discussão sobre a política de preços, com
representantes da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e da
Petrobras”, sugeriu o parlamentar.
Sua recomendação foi ao encontro do que disse o deputado
Domingos Brazão (PMDB), que havia sugerido o debate a Picciani.
Em seu discurso, ele solicitou o envio de uma carta à empresa
solicitando “tratamento respeitoso” aos preços praticados. “Hoje
vivemos um momento em que há sobra de gás, mas as empresas não
convertem seus motores por desconfiança de que haja novo
racionamento. O gás precisa ser transformado em principal
produto da cadeia energética, não se manter como segunda opção,
custando 40% a mais do que cobra a Bolívia pelo gás natural
enviado a São Paulo e aos estados do Sul do País”, criticou o
parlamentar, que calcula que o gás custe R$ 0,55 por metro
cúbico no estado, enquanto o importado pelos demais estados
custa em torno de R$ 0,38. “Ao mexermos no preço, estaremos
poupando nosso meio ambiente e tornando nosso mercado mais
competitivo”, afirmou.
O presidente do conselho de energia da Federação das Industrias
do estado do Rio (Firjan), Armando Guedes, concordou. Segundo
ele, recentes descobertas de gás pelos Estados Unidos farão com
que a oferta passe a ficar maior que a demanda, reduzindo o
preço do gás. “Precisamos antever este movimento e criar
políticas que impulsionem o uso do combustível pelas indústrias.
Precisamos aumentar o mercado”, enfatizou ele, para quem o
consumo no estado ainda é, em grande parte, causado pelo consumo
do Gás Natural Veicular (GNV). “Há usos muito mais nobres do que
este”, disse ele. “Há condições para desenvolvermos uma política
de uso no mercado interno, agregando mais valor ao combustível,
que pode ser usado para impulsionar diversas indústrias, como as
químicas”, exemplificou.
Durante a reunião, o presidente da Companhia Estadual de Gás (CEG),
Bruno Armbrust, fez uma apresentação sobre o mercado no estado.
Apesar da redução da demanda por conta da crise financeira,
Armbrust defendeu o forte potencial do mercado brasileiro, que
atualmente conta com 1,5 milhão de clientes. “Com potencial para
chegarmos a 10 milhões em poucos anos”, aposta. Segundo
informou, o gás natural já está presente em 38 municípios do
estado. Até 2010, a previsão é chegar a 45 cidades.“Em breve,
chegaremos a Friburgo, Angra dos Reis, Saquarema, e outros”,
citou. O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico,
Julio Bueno, citou recente experiência bem sucedida com o Gás
Natural Comprimido (GNC) em Teresópolis, como exemplo do
desenvolvimento de novos mercados no estado. “E vamos ainda
empreender experiência em veículos pesados”, adiantou.
Durante o encontro Armbrust anunciou investimento de R$ 1 bilhão
entre 2008 e 2012 na interiorização no Gás Natural, no
financiamento de um plano de renovação das redes antigas e na
construção de “backups” previstos no contrato com a Petrobras.
“O Gás Natural é essencial para a atração de projetos para o
estado, oferece às famílias que optarem pelo combustível
veicular uma economia de R$ 4 mil ao ano e reduz em mais de 70%
a emissão de gás carbônico. E esse mercado só tende acrescer”,
argumentou. “Num mommento em que o mundo procura novas matrizes
energéticas, o Rio se firma como mercado de abastecimento das
termoelétricas e no abastecimento de veículos”, comemora.
Falando em nome do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis (IBP), o gerente de gás Jorge Paulo Delmonte
mostrou como a participação do gás natural entre as matrizes
energéticas cresceu no País, indo de 3,7% em 1998 para os
previstos 12% em 2015 – “Sem considerarmos as reservas da camada
do pré-sal, o que, apesar da difícil logística, aumentará ainda
mais este salto no consumo”. De acordo com Delmonte, o histórico
de consumo no país mostra que “onde o gás está presente, o
mercado acaba se desenvolvendo”, salientou. Também estiveram
presentes os deputados Mário Marques (PSDB), Inês Pandeló (PT),
e Paulo Ramos (PDT), o presidente da Agência Reguladora de
Energia e Saneamento Básico do Rio de Janeiro (Agenersa), José
Carlos dos Santos Araújo, e o assessor de Energia da secretaria
de Desenvolvimento Econômico do estado,
Fonte:
ALERJ
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