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Audiência
sobre biocombustíveis discute mudanças tributárias |
A
mudança da tributação que incide sobre a produção de
biocombustíveis - para estimular o crescimento dessa atividade -
foi um dos assuntos discutidos nesta quarta-feira (11), durante
reunião na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura (CI) do
Senado. A reunião foi promovida pelo grupo de trabalho que
deverá elaborar uma nova proposta de marco regulatório para o
setor.
Uma das medidas sugeridas é a unificação das alíquotas do
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pagas
pelos produtores de etanol, que variam conforme o estado. A
unificação foi defendida pelo senador João Tenório (PSDB-AL),
que também é produtor, e pelo presidente do Sindicato da
Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas, Pedro
Robério de Melo Nogueira.
Segundo Pedro Robério, as diferentes alíquotas desse imposto -
ele ressaltou que existem 19 - prejudicam a competitividade dos
estados que pagam mais, "restando-lhes apenas o mercado externo,
que nem sempre é suficiente". Tanto Pedro Robério como João
Tenório argumentam que, dessa forma, o Nordeste é prejudicado
pelas diferenças de custo.
Biodiesel
Além do etanol, também se discutiu o impacto de medidas
tributárias sobre outro tipo de biocombustível: o biodiesel, que
é produzido a partir de diversas oleaginosas, como a soja, o
girassol, a mamona, o algodão e o dendê (no Brasil, a principal
matéria-prima utilizada na produção de biodiesel é a soja).
De acordo com o diretor-executivo da União Brasileira do
Biodiesel, Sergio Beltrão, nesse caso específico não seriam
necessárias modificações na legislação tributária, mas sim
mecanismos compensatórios destinados aos produtores. Ele
comparou os sistemas tributários de Brasil e Argentina para
demonstrar que há "uma discrepância entre esses dois países que
inviabiliza a competitividade externa brasileira no que se
refere ao biodiesel".
- Esse mecanismo compensatório pode ser implementado, por
exemplo, por meio da criação de um fundo, que pode até estar
vinculado ao pré-sal - declarou ele.
Já o gerente de gestão tecnológica da Petrobras Biocombustíveis,
João Norberto Noschang Neto, afirmou que "é preciso resgatar a
idéia inicial do Programa Nacional de Produção e Uso de
Biodiesel, que é a geração de emprego e renda para o pequeno
produtor, para a agricultura familiar".
João Roberto avalia que, como a maior parte da produção nacional
de biodiesel se baseia na soja, "talvez seja necessário um
incentivo maior a quem produz de forma efetiva por meio da
agricultura familiar e a quem produz no semi-árido". Nesse
contexto, ele também defendeu a diversificação das
matérias-primas utilizadas desse combustível.
Também participaram da reunião os senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE)
e Gilberto Goellner (DEM-MT).
Fonte:
Agência Senado
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