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BC propõe
preços diferentes
no comércio conforme
meio de pagamento usado |
O chefe do Departamento de Operações Bancárias e do Sistema de
Pagamentos do Banco Central (BC), José Antônio Marciano,
defendeu hoje (8) que o comércio adote preços diferenciados
conforme os meios de pagamentos usados pelo comprador. Marciano,
que participou de audiência pública na Câmara dos Deputados,
disse que atualmente os lojistas repassam para todos os
consumidores, indiscriminadamente, os custos que têm com os
cartões de crédito e de débito.
Ele lembrou que muitos lojistas oferecem descontos para quem
paga em dinheiro ou com cheque. “É uma questão de ajuste de base
legal ou regulamentar. Há interesse, sim [na mudança da
legislação para permitir a diferenciação de preços], porque o
lojista ganha mais poder para negociar um preço mais justo [de
acordo com o custo do uso dos cartões de crédito]”, afirmou.
Perguntado se há consenso no governo sobre a proposta de
diferenciação de preços, Marciano afirmou que não “cabe falar
nesses termos”, uma vez que todas as medidas que serão sugeridas
para o setor de cartão de crédito são discutidas entre os
técnicos. Essa proposta é contrária ao que diz o Código de
Defesa do Consumidor.
O diretor da Associação Brasileira da Empresas de Cartões de
Crédito e Serviços (Abecs), Ivo Luiz de Sá Freire Vietas Júnior,
disse que, se a diferenciação de preços for considerada benéfica
para a sociedade, o setor não se manifestará contra.
Ele admitiu que os lojistas repassam o custo do uso do cartão
para os produtos e serviços vendidos, mas ressaltou que esse
meio de pagamento faz as vendas crescerem. “Portanto, quem está
pagando sem o cartão de crédito também está tendo o subsídio que
o volume maior de vendas traz. Não está claro que esse
equilíbrio seja ruim”, afirmou.
Nos próximos dias, será divulgado o relatório final sobre o
setor de cartões de crédito, informou Marciano. Segundo ele, o
diagnóstico do setor foi bem feito e não haverá mudanças nas
conclusões. Marciano não quis adiantar as medidas que serão
adotadas pelo governo. “Prefiro não ficar antecipando, não
criando mais expectativa em cima desta ou daquela medida”.
No último dia 1º, o Banco Central informou que as equipes
técnicas do governo concluíram a análise sobre o setor de
cartões de pagamentos no país. As propostas ainda dependem de
análise do presidente do BC, Henrique Meirelles, e dos ministros
da Fazenda, Guido Mantega, e da Justiça, Tarso Genro.
Entre as sugestões da área técnica do BC e das secretarias de
Direito Econômico do Ministério da Justiça e de Acompanhamento
Econômico do Ministério da Fazenda (Seae), está a abertura da
atividade de credenciamento, ou seja, os lojistas não precisarão
fazer contratos de exclusividade com as redes de cartões para
processar as transações.
Outra sugestão é que o lojista possa passar os cartões de
diferentes bandeiras em uma só máquina. Os técnicos do governo
também propuseram que haja “neutralidade nas atividades de
compensação e liquidação”, ou seja, que haja apenas uma
instância para compensação e liquidação das operações. Também
foi proposta a criação de uma bandeira nacional de cartão de
débito.
Fonte:
Agência Brasil
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