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Especialista diz que sistema tributário brasileiro tem
excesso de normas constitucionais |
O sistema tributário foi alvo de críticas no seminário sobre
Sistema Tributário, Desenvolvimento e Comércio Exterior,
promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento
Industrial (ABDI).
O objetivo do encontro é discutir a necessidade de reforma nos
sistemas tributários do Brasil, da Rússia, Índia e China, países
que formam o grupo conhecido como Bric.
Em palestra sobre os sistemas tributários do Brasil e da China,
o professor de pós-graduação em direito da Universidade Católica
de Brasília, Maurício Muriack, disse que "não existe, no mundo,
nada igual ao sistema tributário brasileiro".
Muriack citou como potos negativos do sistema brasileiro o
excesso de normas constitucionais, que "tornam o sistema uma
balbúrdia"; o excesso de “espécies” e “subespécies” tributárias,
que dificultam a racionalidade do sistema; o excesso de
artifícios, em que alguns impostos acabam incidindo sobre
outros; e o incentivo desnecessário a investimentos
estrangeiros.
Para ele, o ponto positivo do sistema em vigor no Brasil é o
fato de atribuir competências próprias para cada estado. Há,
conforme Muriack, uma resistência histórica no Brasil em pagar
impostos, o que motivou a Inconfidência Mineira e a Revolução
Farroupilha, lembrou o professor.
Mas, segundo ele, as classes mais pobres são chamadas a pagar
mais, enquanto há dificuldades em taxar produtos supérfluos,
como barcos e jatos de propriedade particular, e os automóveis
pagam Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA).
A interferência do Supremo Tribunal Federal (STF), que profere
"decisões contraditórias" em matéria tributária, foi outra
questão comentada pelo professor, citando o caso da contribuição
previdenciária dos inativos que, num primeiro momento, foi
negada pelo tribunal, reconsiderada depois e negada novamente em
seguida.
"Quisera o Brasil conseguisse eliminar 3 mil leis tributárias
como fez a China, durante sua inserção no mercado internacional,
depois de aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC)", disse
Muriack.
O país tem carga tributária entre 18% a 23% do Produto Interno
Bruto (PIB), enquanto, no Brasil, ela se situa entre 38% a 45%
do PIB, segundo ele.
Para o professor Zhu Weiqun, da Escola de Economia Pública da
Universidade de Xangai, na China, seu país vem ajustando a
economia e todos os setores, dentro das demandas econômica e
social, depois da abertura comercial que começou no princípio
dos anos 90.
A China, conforme Weiqun, vem sendo "vítima" de um grande número
de controvérsias antidumping, arbitradas por parceiros
comerciais na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ele ponderou que o consumo interno vem sendo muito importante
para a estabilidade da receita tributária chinesa e o modelo
político e social está se aperfeiçoando na medida em que o país
solidifica seus contatos com outros países.
Wiqun registrou que os investimentos estrangeiros são relevantes
para o país. Segundo ele, Hong Kong concentra 37% deles; os
Estados Unidos e o Japão, juntos, representam cerca de 7% do
total; enquanto a participação do Brasil nos investimentos
dentro do país está num patamar pequeno.
O professor disse que o sistema tributário chinês está sendo
rediscutido, mas há pontos que não deverão mudar. Hoje, por
exemplo, não é cobrado o imposto sobre exportações, enquanto
para as importações o percentual é pequeno.
O tamanho da população e a desigualdade social, representada por
uma grande disparidade entre ricos e pobres, segundo o
professor, dificulta a taxação sobre negócios da economia
informal e sobre as propriedades. Só é cobrado imposto quando
são feitas as vendas dos bens. A China tem uma política de
impostos diferenciada para a área litorânea e para o interior do
país. Além disso, há uma forte guerra fiscal entre os estados,
conforme Weiqun.
Fonte:
Agência Brasil
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