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Ipea
aponta injustiça tributária
e do gasto social no Brasil |
30/06/2009
Quem paga proporcionalmente mais impostos no Brasil são as
pessoas de menor renda e patrimônio. Mas a destinação dos gastos
públicos não são direcionados aos mais pobres. A conclusão é de
um estudo Receita pública: quem paga e como se gasta no Brasil,
divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
“Quem tem propriedade no Brasil é beneficiado pelo sistema
tributário”, resumiu Márcio Pochmann presidente do Ipea durante
a apresentação do estudo na sede do instituto em Brasília.
Em 2006, os proprietários de algum bem (empresa, casa,
automóvel) comprometaram 13,6% de sua renda com o pagamendo de
tributos. Quem só recolhe a contribuição previdenciária e o
Imposto de Renda (IR) foram classificados como "não
proprietários" e usaram 24,4% de seus rendimentos na quitação de
tributos.
O Ipea avaliou que as faixas de remuneração mais baixa pagam
proporcionalmente mais tributos. “Quem tem mais dinheiro paga
menos impostos”, disse Pochmann Segundo o estudo que apresentou,
os 10% mais pobres da população gastaram 32,8% de sua renda com
impostos federais, estaduais e municipais; enquanto os 10% mais
ricos tiveram um ônus de 22,7% da renda.
Se considerada a renda familiar a disparidade permanece. As
famílias com até dois salários mínimos de renda pagaram 48,8% de
sua renda com impostos, enquanto que as famílias com mais de 30
salários mínimos de renda pagaram o equivalente a 26,3% da sua
renda. Em dias, as famílias mais pobres destinam 197 dias do ano
para pagar impostos, ao passo que as famílias com melhor
rendimento destinam três meses a menos de trabalho, 106 dias.
A injustiça arrecadadora também foi verificada na destinação da
carga tributária no âmbito federal. O pagamento do programa
Bolsa Família (para famílias de R$ 137 per capita) custou 1,4
dia de cada contribuinte, e as aposentadorias e pensões de
ex-servidores e parentes de ex-funcionários públicos equivaleram
a quase uma semana de trabalho dos contribuintes brasileiros
(6,9 dias).
“Quem ganha até 5 salários mínimos tem maior ônus no
financiamento do Estado brasileiro. Quem recebe até dois
salários mínimos transfere, aproximadamente, 50% do que ganham
para financiamento das políticas públicas”, calcula Pochmann.
Fonte: Agência Brasil
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