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ICMS inviabiliza reforma e gera principais injustiças
tributárias |
25/05/2009
Brasília - "Por que não se faz
uma reforma tributária? Porque ela envolve interesses
divergentes e conflitantes”, afirma Adriano Biava, professor da
Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São
Paulo. O especialista em finanças públicas aponta para o Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) como um dos
principais vilões da injustiças tributárias.
Diz ele: “Os estados têm uma tributação sobre a totalidade dos
produtos no âmbito do ICMS e é por esta via que a população de
baixa renda paga proporcionalmente mais do que o pessoal de
renda elevada”. Em sua análise, porém, não é preciso fazer
mudança constitucional. “Não precisamos de reforma, mas da
implantação de um sistema tributário que seja socialmente
justo”.
Segundo Amir Kahir, consultor na área de finanças públicas,
“várias tentativas foram feitas desde a Constituição de 1988 de
mudar os sistema tributário e sempre foram bombardeadas pelos
governadores”. Isso porque “todas essas reformas mexem
profundamente com o ICMS, que é o principal tributo dos governos
estaduais. Em média, é 83% da arrecadação dos estados”.
Em sua opinião, a criação do IVA (Imposto sobre o Valor
Agregado) no lugar do ICMS não vai corrigir o problema. “Fazer o
IVA é trocar o seis por meia dúzia, não altera nada e vai gerar
um monte de contestações na Justiça”, pondera Kahir.
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Marcio Pochmann, observa que “o peso dos impostos rebate de
forma muito desigual no conjunto da população. Os ricos no
Brasil praticamente não pagam impostos”. Para ele, além da
injustiça tributária, a máquina de arrecadação é muito onerosa,
“precisa ter estrutura de fiscalização”, como acontece com o
ICMS.
Pochmann cita um estudo do Ipea feito a partir da Pesquisa de
Orçamento Familiar (IBGE). Segundo o trabalho, as pessoas que
moram na favela pagam mais Imposto Predial e Territorial Urbano
(IPTU), “mais inclusive do que quem mora em mansão”. “O peso dos
impostos é mais alto para os pobres”, lamenta.
Fonte: Agência Brasil
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