| |
|
"Impostômetro” desconsidera que pobres pagam mais impostos,
criticam economistas |
25/05/2009
Brasília - Especialistas em
finanças públicas contestam “impostômetro”, a metodologia que a
Associação Comercial de São Paulo e o Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário usam para criticar a carga tributária no
Brasil. Segundo a mensuração tributária, o país atingiu hoje (4
meses e 25 dias após o início do ano) os R$ 400 bilhões de
impostos federais, estaduais e municipais pagos pelos
brasileiros.
Para Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), o cálculo é incorreto pois se baseia
na arrecadação bruta e não na arrecadação líquida - naquilo que
efetivamente o Estado tributou sem descontar o que restituiu.
Segundo o economista, para cada R$ 3 arrecadados, R$ 2 são
devolvidos “imediatamente”.
“A afirmativa de que estamos pagando muito imposto, o que
compromete uma parcela significativa do tempo do ano, tem pouco
consistência. Considera-se a arrecadação de impostos pelo poder
público, mas não se leva em conta que uma parte significativa de
impostos retorna”, observa Pochmann. “A tributação que eles
dizem pagar está embutida no preço, mesmo as contribuições sobre
o faturamento essas são transferidas para o preço. Quem paga em
última análise é o consumidor.”
O economista Adriano Biava, professor da Faculdade de Economia e
Administração da Universidade de São Paulo, assinala que “para
deixar de impostura, seria melhor que a gente tivesse uma
explicitação da composição da carga tributária e como são usados
os recursos arrecadados por tributos”.
Segundo Biava, “a discussão de que se paga muito imposto ou se
paga pouco imposto é relativa. O problema da nossa carga
tributária não é o seu tamanho, mas sua distribuição: quem que
suporta esse imposto?” Na opinião do professor, os impostos
recaem sobre os setores mais pobres da sociedade.
O consultor de finanças públicas Amir Kahir concorda: “Na
realidade, quem paga imposto no Brasil é da classe média para
baixo”. Segundo o especialista, quem ganha até 2 salários
mínimos paga até 49% do que ganha em tributos. Mas quem ganha
acima de 30 salários mínimos paga apenas 26% dos seus
rendimentos em tributos. “Ou seja, há uma grande regressividade.
Coisa que não é levantada pelas associações comerciais, pelas
empresas de forma geral”, critica.
Para Kahir, “o maior defeito do sistema tributário brasileiro é
sua alta regressividade que, junto com a má distribuição de
renda, são os grandes freios ao desenvolvimento econômico do
país”.
A avaliação é compartilhada por Pochmann e Biava. “Nós temos uma
estrutura desigual tanto na arrecadação quanto no gasto. Uma
parcela do gasto que é feito não se volta para os mais pobres”,
acrescenta o presidente do Ipea.
Segundo Biava, o Estado tira dos mais pobres pelas duas mãos: “o
resultado da atividade do setor público é concentradora. A maior
parte do sistema tributário é constituída de impostos
regressivos que penalizam mais os pobres. Os gastos públicos
penalizam também os mais pobres na medida que privilegiam
pequenas categorias da sociedade”.
Fonte: Agência Brasil
|
|