| |
|
Impostos diretos podem
corrigir injustiça tributária, avaliam especialistas |
25/05/2009
Brasília - A Constituição Federal
de 1988 tem dois instrumentos que podem reduzir o peso dos
impostos sobre as pessoas com menor renda e propiciar maior
contribuição daqueles que tem mais rendimentos, patrimônio e se
beneficiam diretamente das melhorias feitas pelo Estado. Os
constituintes estabeleceram o imposto sobre fortuna e a
contribuição de melhoria. Mas tais mecanismos continuam sem
regulamentação.
A Constituição prevê inclusive que a tributação deverá ser
proporcional à condição socioeconômica do contribuinte. “Sempre
que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão
graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte,
facultado à administração tributária, especialmente para
conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados
os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os
rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”, diz o
artigo nº 145.
Apesar dos dois mecanismos constitucionais (criados há 21 anos),
segundo especialistas, não há movimento aparente no Congresso
Nacional para regulamentar os artigos e gerar maior equilíbrio
tributário. “O que falta é vontade política para aplicar. Não se
aplica porque o sistema político não quer ser controlado. O
sistema político é para que o estado concentre renda e riqueza”,
critica o professor e economista Adriano Biava, da Universidade
de São Paulo (USP).
Para Amir Kahir, consultor na área de finanças públicas, “o
domínio das decisões tributárias se dá no Congresso Nacional e a
representatividade do parlamento não espelha exatamente os
interesses da população, especialmente a população de menor
renda. Consequentemente, nunca se conseguirá aprovar o imposto
sobre grandes fortunas”.
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Márcio Pochmann, nota que as definições das políticas públicas,
gastos e arrecadações se dão “por meio da pressão política”, o
que demostra articulação de alguns setores sociais e a
desorganização política de outros.
Na opinião de Pochmann, o país tem que “usar a política
tributária como política de redistribuição. Precisamos diminuir
impostos indiretos [sobre mercadorias, serviços e produtos]
aumentar impostos diretos [renda e patrimônio]”. Ele lembra que,
a cada R$ 3 arrecadados, R$ 2 derivam de impostos indiretos
(Imposto sobre Produto Industrializado, Imposto sobre Serviço, e
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
“Há uma carência de impostos para segmentos mais privilegiados”,
aponta Pochmann. O professor Adriano Biava concorda e opina que,
além da Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal fornece
instrumentos para se promover justiça tributária. “Pela lei, o
agende público que não aplica os impostos poderia ser
responsabilizado ”, diz.
Fonte: Agência Brasil
|
|