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Editorial
Voracidade sem
fim
Por Ricardo Lisbôa Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ
A cada 26 minutos, uma nova regra fiscal ou tributária é
divulgada pela Receita Federal. É isto mesmo que você leu. Vinte
e seis minutos. A informação é fruto de pesquisas em publicações
no Diário Oficial. O levantamento foi citado pelo presidente de
uma empresa nacional de softwares, em entrevista publicada no
"Brasil Econômico". Segundo a reportagem, no ano passado esta
empresa viu disparar, em 70%, sua receita, especialmente devido
a sistemas e consultorias de alguma forma relacionados ao
Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). O presidente da
empresa citada mencionou a garimpagem de dados "em mais de 100
mil regras publicadas pelas áreas fiscais e tributárias do
governo".
Os números assustadores não param aí. Nos últimos 20 anos, as
três esferas de governo teriam editado mais de 240 mil normas
tributárias, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT), conforme matéria da "Folha de São Paulo", que
assinala que o Brasil, com a maior carga tributária entre os
países emergentes, impõe ao setor privado um custo anual
estimado em R$ 20 bilhões para lidar com a burocracia
relacionada à arrecadação de impostos, taxas e contribuições.
Concluo as citações jornalísticas com a chamada de "O Globo" de
16 de julho de 2010: "Carga tributária bate novo recorde e vai a
37,9% do PIB".
Antes que avancemos, cabe fazer uma ressalva: iniciei este texto
propositalmente mencionando estudos técnicos e órgãos da grande
imprensa para deixar bem claro que minha indignação parte de
informações amplamente pesquisadas e divulgadas. Não se trata de
uma visão parcial ou contaminada por questões ideológicas ou
pessoais, mas sim de fatos, todos eles relativos a uma realidade
cada vez mais preocupante, que é a voracidade fiscal.
Gradualmente, esta voracidade vem se impondo de forma sufocante
sobre nossas vidas particulares e nossos empreendimentos, como
se fosse algo totalmente "natural" e "republicano", contra o
qual ninguém pode protestar.
Na verdade, nada há de natural, de republicano ou de
incontestável num sistema que se construiu e se atualiza apenas
em função do Estado, sem que os governos efetivamente pratiquem
proporcionais contrapartidas em obras, em eficiência e em
serviços públicos essenciais.
Em meio a tudo isto, o pequeno e médio empreendedor se veem
esmagados sob o peso de impostos, exigências e fiscalizações
intermináveis, como se fosse meliantes que precisassem ser
mantidos sob severa vigilância. Quando se chega à inacreditável
ordem de grandeza das centenas de milhares de exigências fiscais
e tributárias, com quase 40% do PIB de um país de dimensões
continentais como o Brasil comprometidos com impostos, equivale
a soar um sinal de alerta máximo para toda a sociedade.
É hora de inverter nossa situação de eternos vigiados. Vamos
cobrar, e cobrar enfaticamente, na mesma medida em que somos
cobrados, para que nossos impostos sejam corretamente aplicados,
reduzindo os imensos abismos sociais e econômicos em nossa
sociedade. O Brasil tem tudo para despontar como uma grande
potência mundial, e cada um de nós precisa assumir serenamente
seu papel nesta caminhada, sem necessidade de emaranhados de
milhares de leis, portarias e decretos que só um sistema de
computador pode processar.
[Editorial da Edição nº
95 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ]
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