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Editorial



Preparando o futuro


Por Ricardo Lisbôa Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ



Se você costuma ficar assustado diante das inúmeras mudanças e adaptações a que são submetidos atualmente os Revendedores de Combustíveis, convém começar a se preparar para doses extras de sangue frio. É que, queiramos ou não, as necessidades econômicas, energéticas e ambientais das nações estão rapidamente sendo redesenhadas, apontando para o surgimento de todo um novo cenário mundial. Avançam a olhos vistos, aqui e ali, projetos que tentam tornar viável o uso, em grande escala, de alternativas tais como carros e ônibus movidos a eletricidade, a hidrogênio ou a água. Por exemplo: lembra de quando surgiu o assunto dos carros flex? Pois é, quem diria que eles se tornariam, em tão pouco tempo, o padrão de nossa frota?

No que tudo isto vai dar, obviamente, ninguém sabe. O que podemos garantir é que estamos no limiar de um novo mundo, em termos de combustíveis automotivos. Como empresários voltados justamente à Revenda, cabe a nós acompanhar ao máximo os noticiários, as opiniões técnicas, os estudos e levantamentos estatísticos que vão surgindo, para assim tentarmos entrever quais são as principais tendências do mercado.

Uma delas, de alcance bem concreto e imediato, diz respeito ao álcool combustível (etanol), que veio subindo na preferência do consumidor e acaba de alcançar o primeiro lugar no consumo de combustíveis no Brasil. Trata-se da consagração de um combustível alternativo que tem tudo para continuar crescendo -- inclusive, e especialmente, fora do nosso país. É justamente de olho na conquista do mercado internacional que a ANP está deflagrando uma campanha visando a adoção geral, no público brasileiro, do termo etanol, que já usado em outros países.

E o que isto tem a ver com a realidade do dia-a-dia do dono de posto?

Tudo. O observador mais atento haverá de notar que está nascendo (e forte) uma nova matriz energética, na qual o álcool — vamos lá, o etanol — terá o papel de protagonista número um. Do outro lado da gangorra, descendo velozmente, está a gasolina. Em meio a tudo isso, crescem os comentários sobre situações de usinas e intermediários comercializando produtos em "linha direta", sem o devido recolhimento de impostos e controle de qualidade. E, com isto, vão pipocando os casos de desequilíbrios pontuais no mercado, muitas vezes levando à falência, de uma só vez, diversos Revendedores, prejudicados em sua competitividade. E os governos (estaduais e federal), o que estão fazendo a respeito, e por quê?

Foi em função dessas novas realidades que estão surgindo, especificamente no âmbito do etanol, que participamos recentemente de uma reunião promovida em Brasília pela Fecombustíveis, com presidentes dos Sindicatos nossos co-irmãos e representantes da Unica e da BR. Foram dois dias inteiros de trabalhos, constituindo um verdadeiro banho de imersão no tema, que é muito mais vasto do que pode parecer à primeira vista e que, longe de representar uma ameaça, significa potencialmente excelentes oportunidades para o futuro da Revenda.

Eis um dos papéis fundamentais de entidades como a Federação e o Sindestado-RJ: pensar estrategicamente o nosso setor, monitorando problemas e possíveis soluções, conforme o desenrolar dos acontecimentos. E compartilhar esse conhecimento com os colegas de jornada, que, como nós, são Revendedores lutando (muitas vezes heroicamente) pela pura e simples sobrevivência comercial.





[Editorial da Edição nº 93 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ]

 

 


 
     
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