

Defesa
do Consumidor
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Editorial
O sonho não
acabou
Por Ricardo Lisbôa Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ
Agora, no início de fevereiro, dados da ANP compilados e
apresentados no Seminário de Avaliação do Mercado de Derivados
de Petróleo e Biocombustíveis resultaram numa interessante
fotografia do nosso setor. Nos comparativos entre 2007 e 2008,
por exemplo, observamos o aumento do número de usinas
cadastradas na ANP (357, em 2007; e 409, em 2008), assim como
uma ligeira redução no total de distribuidoras autorizadas pelo
órgão (248, em 2007, caindo para 226, em 2008). Quanto ao total
de Postos Revendedores, eles eram 29.486, em 2007 (dos quais
14.051 bandeiras brancas, e os demais 15.435 vinculados a
bandeiras); sendo que o total de Postos em todo o país 2008
passou para 36.517 (um aumento considerável, em pouco tempo),
sendo 15.814 bandeiras brancas e 20.703 vinculados.
Há, claro, muitos outros dados interessantes. Tanto que o
Sindestado-RJ distribuirá aos Associados a íntegra dos
documentos, acrescentada por uma breve análise dos principais
indicadores. Mas fiquemos aqui, por enquanto. Vamos falar da
questão das bandeiras. Se ocorreu uma discreta diminuição
percentual do total de postos de bandeira branca de 2007 para
2008, ainda assim continua sendo um fato concreto do nosso
mercado que, atualmente, os bandeiras-brancas são a maior
“bandeira” em nosso país. E isto não pode ser ignorado, em
hipótese alguma, por quem se proponha a observar o mercado com
um mínimo de isenção de ânimos.
Todos nós, Revendedores, bem sabemos que por trás da corrida em
fuga do vínculo às bandeiras tradicionais o que existe, sempre,
é o desejo de liberdade comercial. Para alguns, lamentavelmente,
tal liberdade seria sinônimo de descompromisso total e absoluto
com todo o tipo de regras — ambientais, concorrenciais,
trabalhistas e de respeito ao consumidor. Trata-se, por óbvio,
daquela pequena parcela de maus integrantes que acabam por
denegrir qualquer categoria que integrem. Para estes, só há como
remédio a repressão através do braço forte da Lei.
Mas falemos da imensa maioria de bons Revendedores — pessoas
sérias, honradas e batalhadoras — que acabam se libertando das
amarras dos contratos com bandeiras tradicionais, não porque
prefiram ser bandeiras brancas, mas porque tal situação muitas
vezes representa uma última chance de sobrevivência comercial,
num mercado cada vez mais duro e competitivo. Ora, se as grandes
distribuidoras só fazem apertar o garrote contra o mais fraco, é
de se esperar, mesmo, que ele procure se livrar de tal situação.
Assim, a bandeira branca acabou por ser, estatisticamente, a
“maior bandeira” que hoje existe.
O problema é que a condição de bandeira branca é ainda muito
mal-vista, por boa parte dos consumidores. Nós mesmos sabemos de
inúmeros casos de motoristas que rodam quilômetros para
abastecer, às vezes, em postos que simplesmente integram uma
rede, mas são bandeiras brancas. O motivo? Uma sensação de
segurança, devido ao fato de recorrer a um estabelecimento que
ostenta uma marca, uma unidade visual, denotando um espírito de
grupo, por mais tênue que seja.
Pois esse tipo de situação acabou criando um nicho de mercado.
São os bandeiras brancas sérios, que embora trabalhem
honestamente percebem que poderiam realizar maiores e melhores
vendas caso tivessem uma marca para ostentar. E é aí que nasce a
bandeira “RJ Combustíveis”, homônima à central de compras de
produtos e serviços criada tempos atrás por nós, Revendedores
estabelecidos no Estado do Rio de Janeiro. Inicialmente, a
central se voltou para viabilizar administrativamente os
contratos relativos à rede de lojas de conveniência
independentes “Como Convém”. Agora, nosso Estado parte na
dianteira, lançando uma marca completa, simpática, estruturada,
a qual poderá ser ostentada por companheiros Revendedores que se
comprometam, contratualmente inclusive, a manter bons padrões de
atendimento, qualidade de produtos e respeito às leis.
Sinceramente, creio que acaba de ser lançada aqui, em território
fluminense, uma excelente alternativa para nosso segmento. A
liberdade comercial sempre foi nosso sonho. E a RJ Combustíveis
mostra que ele não acabou. Muito pelo contrário: está mais vivo
do que nunca.
[Editorial da Edição nº
91 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ]
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