São Gonçalo institui
"Lei Seca" noturna
[Edição nº 82 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ ]
Está proibida, em São Gonçalo, a venda de bebidas alcoólicas das
22h às 8h em todos os postos de combustíveis e serviços,
inclusive as lojas de conveniências e similares instaladas nos
pátios dos postos. O impedimento foi ditado pela Lei 013/2007—
fruto de projeto do vereador José Augusto Abreu —, sancionada
pela prefeita Aparecida Panisset e publicada no Diário Oficial
do Município em 19 de janeiro.
A Lei entrou em vigor no mesmo dia, apanhando de surpresa os
Revendedores estabelecidos no Município e gerando compreensível
apreensão quanto aos rumos dos seus negócios no ramo de
conveniência. O não-cumprimento da proibição implicará ao
infrator a imposição de advertência, multa e, até mesmo,
cassação do alvará. Embora adiantando que fiscalização será
feita pela Postura Municipal, o texto da Lei não esclareceu o
valor das multas, nem se elas serão simplesmente cumulativas ou
se serão gradualmente ampliadas. Também não explicitou quais,
precisamente, seriam as condições para a cassação do alvará.
— Todos nós, Revendedores, somos solidários no que diz respeito
à segurança no trânsito, mas é preciso que as autoridades
debatam amplamente, e com isenção de ânimos, as iniciativas e
serem tomadas neste campo. Afinal, há em jogo a manutenção de
empregos e, até mesmo, a existência ou não de empresas, já que
alguns Postos hoje dependem fortemente do faturamento de suas
lojas de conveniência para poderem se manter — comentou o
presidente do Sindestado-RJ, Ricardo Lisbôa Vianna, preocupado
com o impacto que a proibição terá no faturamento dos Postos
estabelecidos em São Gonçalo. — A intenção do legislador pode
até ter sido boa, mas vamos discutir a eficácia: e os
incontáveis bares, restaurantes, trêileres e biroscas, esses
podem vender bebida a rodo para os motoristas? E os cartazes,
placas e outdoors de propaganda de bebidas alcoólicas espalhados
pela cidade, dia e noite estimulando o consumo, esses também
podem prosseguir? As autoridades públicas, em geral, precisam
decidir se efetivamente querem combater os malefícios do álcool
ao volante, ou se preferem apenas adotar medidas cosméticas, que
praticamente só geram desemprego e fechamento de empresas —
criticou.