Filmagens obrigatórias: Deputada rejeita Projeto de Lei
[Publicada na Edição nº 78 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ ]
Já há tempos o Sindestado-RJ vem protestando
contra a verdadeira febre de legislações referentes à rotina da
Revenda, que parece ter tomado conta do país. A todo instante
surgem mais e mais propostas de Leis — algumas bastante
razoáveis e procedentes, mas muitas delas absurdas ou
absolutamente inviáveis, como por exemplo as idéias de se tornar
obrigatória a venda de GNV em todo e qualquer Posto existente no
Brasil, ou de se proibir a exposição de produtos junto aos
caixas de lojas de conveniência, para (no entender do brilhante
autor do Projeto de Lei), "não incentivar o consumidor a comprar
algo de que ele na verdade não precisa". A lista é extensa e não
pára de crescer.
Felizmente, são muitos os parlamentares que atuam dentro dos
limites do bom senso. Estes precisam ser destacados e elogiados,
estejam onde estiverem. É o caso da deputada federal Zulaiê
Cobra (SP), que como Relatora da Comissão de Segurança Pública e
Combate ao Crime Organizado da Câmara acaba de votar — com
argumentos brilhantes e precisos — pela rejeição Projeto De Lei
nº 5000/2006, de autoria do deputado Cabo Júlio, visava obrigar
os Revendedores a instalar sistemas de gravação de imagens para
monitorar a movimentação diária nas áreas operacionais, de
administração e de escrituração contábil de seus Postos.
Pelo Projeto do deputado Cabo Júlio, as gravações deveriam
permanecer em arquivo durante 30 dias, ficando disponíveis para
requisição pela Polícia em casos de inquéritos para apurar
delitos ocorridos no estabelecimento. O Posto que não cumprisse
as disposições estaria sujeito ao pagamento de multa diária de
cinco mil reais, cobrada em dobro em caso de reincidência. E
mais: havendo segunda reincidência, seriam suspensas todas as
atividades do estabelecimento, até que a sua situação seja
considerada regularizada. Pela proposta do Cabo Júlio, os Postos
teriam prazo improrrogável de 180 dias, a partir da publicação
da Lei, para se adaptarem às disposições.
O voto de rejeição da deputada Zulaiê Cobra foi parabenizado
pelo Sindestado. Em ofício à nobre parlamentar, o presidente do
nosso Sindicato, Ricardo Lisbôa Vianna, assim se manifestou:
“Exma. Sra. Deputada Zulaiê Cobra
“O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no
Estado do Rio de Janeiro (Sindestado-RJ) vem expressar
congratulações à atitude da ilustre Deputada por seu parecer a
respeito do PL 5000/2005, opinando pela rejeição à proposta
apreciada.
“Apresentado pelo Deputado Cabo Júlio, o Projeto de Lei em
questão (...) configura a nosso ver mais uma dentre tantas
aberrações legiferantes que, de uns tempos a esta parte, vêm
ocorrendo em nosso país. Aberrações que têm em comum,
invariavelmente, a motivação de intervir, a ferro e fogo, sobre
as liberdades administrativas, empresariais e comerciais - única
e exclusivamente -, dos postos revendedores de combustíveis.
“Foi brilhante e precisa a argumentação da ilustre deputada
Zulaiê Cobra, demonstrando elogiável compreensão das
dificuldades geradas por uma eventual aprovação do projeto do
deputado Cabo Júlio. No embasamento de seu voto, a deputada
deixou claro sua atenção para com a realidade econômica e social
do país, assim como para a preservação da viabilidade de
sobrevivência comercial dos mais de 30 mil postos revendedores
de combustíveis estabelecidos em todo o Brasil.
“Em adição ao impecável raciocínio exposto pela ilustre
deputada: no caso em tela, por exemplo, cabe questionar por que
uma Lei desse tipo, tão específica para os postos de
combustíveis? Por que não também (se a preocupação com a
segurança pública é tamanha) tornar obrigatória a instalação de
câmeras - inclusive nas dependências administrativas e contábeis
- em farmácias, padarias, lanchonetes, livrarias, lojas de
roupas, cafeterias, bares, restaurantes e repartições públicas
em geral?
“Por todo o exposto, reiteramos ser uma grande satisfação para
nós, Revendedores, identificar na deputada Zulaiê Cobra uma
parlamentar compromissada, como nós, com o desenvolvimento do
Brasil, com base em regras razoáveis e exeqüíveis, que se
desdobrem na permanente construção de uma nação marcada pelo
progresso e pela justiça social”.
Atenciosamente, Ricardo Lisbôa Vianna, Presidente do
Sindestado-RJ