Agências reguladoras:
crise agravada
[Publicada na Edição nº 77 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ ]
Aprofunda-se cada vez mais o clima de crise e
esvaziamento das agências reguladoras. No início de abril o
senador José Jorge (PFL-PE) apelou ao novo ministro das Relações
Institucionais, Tarso Genro, e à ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, para que as agências reguladoras tenham seus
diretores nomeados, sob pena de inviabilidade de seu
funcionamento. José Jorge destacou o caso da Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que, por dois
meses e meio, manteve o diretor Victor Martins no cargo sem
mandato. Segundo o senador, se a situação perdurar, as agências
irão fechar "por falta de diretor".
- A questão é grave. A agência, que cuida de petróleo, gás e
álcool, ficou com apenas dois diretores, sem poder de decisão,
num momento em que o petróleo custa sessenta dólares e a
Petrobras está vivendo essa situação grave com a Bolívia -
salientou.
José Jorge lembrou que também a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), a Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
estão na mesma situação, com seus quadros de diretores
incompletos. Por esse motivo, o senador apresentou projeto de
lei, depois transformado em proposta de emenda à Constituição (PEC),
que autoriza o Senado a fazer indicação para o cargo de diretor
caso haja vacância desse cargo em uma agência reguladora por
prazo superior a 50 dias.
Outras críticas surgiram durante o III Fórum Brasileiro sobre as
Agências Reguladoras, promovido pelo Instituto Brasileiro de
Direito Público (IBDP), em Brasília. O presidente da Associação
Brasileira das Agências de Regulação (Abar), Álvaro Otávio
Vieira Machado, disse que postura do governo federal, no sentido
de não dar valor às agências, "é uma questão ideológica".
Machado igualmente mostrou-se preocupado com o contingenciamento
de recursos das agências federais e com a demora para a nomeação
de novos diretores para esses órgãos. Para ele, esse suposto
enfraquecimento das reguladoras dificulta a atração de novos
investimentos para o País.