Editorial
Canais de transformação
Por Ricardo Lisbôa
Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ
Mais que em qualquer outro período da história, os tempos atuais
têm sido marcados por mudanças vertiginosas em praticamente
todos os ramos das atividades humanas. Novos conceitos, novas
tecnologias, novos padrões de consumo e comportamento se
relacionam vigorosamente, com uma dinâmica jamais vista, criando
por sua vez ainda mais novos padrões, tecnologias e conceitos. O
mundo em que vivemos é o mundo do novo. Só sobrevive quem
consegue se adaptar. E adapte-se quem puder.
O comércio não poderia ser exceção num cenário como esse. Sugiro
que o leitor faça um rápido retrospecto na própria revenda de
combustíveis. Nada muito distante no tempo: falemos de dez,
quinze anos atrás. Aquele Revendedor que lá estava (e que não se
atualizou) não tem mais a menor condição de subsistir no mercado
deste início de 2006. Antes de mais nada, porque o mercado, como
todos sabemos, é totalmente outro hoje em dia. Totalmente
diferente.
Faço tais considerações porque vários indícios de novas mudanças
vêm pontuando nosso setor nos últimos meses (e principalmente
nas últimas semanas), tais como o crescimento exponencial do
segmento de gás natural, a corrida dos consumidores pelos carros
flexfuel e a interesse de investidores internacionais de peso na
produção de álcool e biodiesel. Some-se a tudo isso a cada vez
mais comentada crise energética que se avizinha (com efeitos
danosos em praticamente todos os países do globo terrestre), e
temos aí uma equação e tanto, que no mínimo merece ser apreciada
detidamente por todos que, como nós, dependem da comercialização
de combustíveis para sobreviverem comercialmente. (Aliás, e
bastante a propósito: quem de nós, poucos anos atrás, teria
idéia de que um dia iria lidar com termos como “biodiesel”,
“carros flexfuel”, ou mesmo “ECFs” e “fiscalização ambiental”?).
Essa visão panorâmica é importante e necessária, porque pode
estar à nossa frente à sinalização de alguns pontos estratégicos
para nosso futuro próximo. Evidentemente, nenhum de nós tem o
dom da adivinhação — cabe-nos, no máximo, observar com atenção e
exercitar nossa inteligência e imaginação. É preciso compreender
que o Revendedor de hoje não pode mais se dar ao luxo de querer
saber apenas da cotação da gasolina, do álcool e do diesel. Ele
necessita (embora muitos até hoje ainda não tenham se apercebido
disto) também ser abastecido permanentemente com informações de
Direito, Informática, Análise de Mercado, Recursos Humanos e uma
série de outras frentes do conhecimento humano. E ele necessita
disto simplesmente para poder tentar se manter no mercado, de
forma honesta, competitiva e lucrativa.
Além do conhecimento, é preciso somar forças. Sempre. Daí a
importância da reunião de interesses comuns em torno de
instituições como o Sindestado-RJ. Vejam o exemplo da
recém-publicada regulamentação dos postos escola. Não fosse
pelos nossos esforços, e os postos alegadamente escolares
estariam proliferando livres de Norte a Sul do Brasil. Cabe
recordar que o Sindestado-RJ lutou contra a “febre” dos postos
escola desde o início das discussões sobre o tema,
sensibilizando lideranças políticas em todo o país. Insistimos
para que esses postos fossem verdadeiramente escolas, e não
biombos para encobrir ações verticalizantes. O Sindestado-RJ não
arredou pé de suas posições e insistiu, lutando sem alarde, mas
com muita eficiência, fazendo-se impor mesmo diante de ouvidos
que não queriam ouvir. E aí está, finalmente, a regulamentação
dos postos escola.
Ou seja: o mundo está em permanente mutação, sim; mas isto não
quer dizer que nós devamos simplesmente quedar passivos em
estado de contemplação. Nada disto. Nós Revendedores também
podemos (e devemos) exigir determinadas mudanças, seja no âmbito
governamental ou privado, sempre que nos depararmos com
injustiças e abusos de poder econômico. Os Sindicatos são o
canal consagrado dessas lutas. É por meio deles que nós podemos
deixar de ser simples espectadores, para nos tornarmos também
atores na transformação do mundo.
[Editorial da Edição nº
76 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ]