Revenda de diesel
pede socorro
Audiência pública debate Projeto CAIS
e Postos de Abastecimento
[Publicada na Edição nº 75 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ /
dezembro de 2005]
Fustigada pela concorrência desleal de Postos de
Abastecimento (PAs) e pelo preocupante Projeto CAIS da BR, a
revenda de diesel teve momento importante em 12 de dezembro,
quando a ANP promoveu audiência pública sobre a regulamentação
para operação e desativação de PAs, e sobre o Projeto CAIS.
Representantes da Federação e de Sindicatos de Revendedores de
quase todo o Brasil lá estiveram, marcando firme posição contra
as turbulências que o setor vem enfrentado.
Na verdade há todo um leque de problemas afligindo os
revendedores de diesel, como por exemplo a grande disparidade,
de um Estado para outro, do ICMS incidente sobre o combustível.
Isto levou tanto à instalação dos famigerados “tanques
adicionais” nos caminhões (para aumentar sua autonomia, de forma
a evitar o abastecimento nas áreas “mais caras”), como também
atraiu as frotas para o sistema de tanque-bomba, que permite à
empresa adquirir o diesel direto (e mais barato) na base da
Companhia.
O projeto Central Avançada de Inspeção e Serviços (CAIS) veio a
agravar o quadro, já que envolve, na prática, a montagem de
sofisticados postos de abastecimento, invadindo o segmento dos
Postos de Estrada e, principalmente, acenando para a
verticalização de todo o setor.
Dentre as diversas vozes que protestaram contra a atual
situação, o ex-deputado federal e vereador Ricardo Maranhão fez
contundente pronunciamento. “Quando se discute a operação e a
desativação dos chamados Pontos de Abastecimento a eles também
incluídos os chamados CAIS, não se pode deixar de considerar,
além dos interesses econômicos, muitas vezes divergentes, de
distribuidoras, revendedores e transportadoras, valores e
direitos fundamentais que precisam ser preservados por qualquer
sociedade democrática e responsável. Que valores e direitos são
estes? Qual a sua importância?”, perguntou Maranhão, que citou
alguns: a segurança e a integridade física da população; a
necessidade de garantir ao Estado a arrecadação de recursos
essenciais ao atendimento das suas funções sociais e econômicas;
o combate às práticas criminosas do monopólio privado, dos
cartéis, da concorrência desleal e demais abusos do poder
econômico, de forma a garantir a livre concorrência; e ainda a
proteção ao meio ambiente e aos direitos do consumidor.
Maranhão citou o exemplo de Mato Grosso, onde o conjunto de
irregularidades, de atos ilícitos, de crimes contra o erário e
os consumidores ficou conhecido como a ‘Farra do Diesel’,
requerendo em seu combate a ação conjunta de diversos órgãos,
tais como a ANP, Inmetro, Procons, Polícia Militar e secretarias
estaduais de Fazenda, Meio Ambiente, Indústria e Comércio. “As
irregularidades e ilegalidades encontradas na operação foram
inúmeras: vendas ilegais, equipamentos instalados sem
observância das exigências de segurança e ambientais,
adulteração e furto de produtos, sonegação de impostos, ausência
de cadastramento ou cadastramento irregular nos órgãos
reguladores, descumprimento da legislação trabalhista,
concorrência desleal”, assinalou Ricardo Maranhão, que
apresentou então à ANP a sugestão de se realize uma avaliação
detalhada das condições de operação e o cadastramento dos
milhares de Pontos de Abastecimento em funcionamento no país.
“Desses pontos deverá ser exigida a comprovação de consumo de
combustíveis compatível com a finalidade para os quais foram
implantados. Os PA(s) que estejam praticando ilegalidades ou em
desacordo com os padrões de segurança e/ou ambientais deverão
ser fechados/interditados”, explicou o ex-deputado. Ele também
propôs uma regulamentação “dura e exigente” para os PAs que se
pretende disciplinar através da Resolução da ANP, para a qual
apresentou diversas sugestões.