Editorial
Ritmo dos tempos modernos
Por Ricardo Lisbôa
Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ
Num olhar macro, nossa categoria chega ao final de 2005 podendo
ao menos festejar o fato de ter se mantido fora do fogo da mídia
e das autoridades, após haver amargado em tempos recentes a
situação de invariável bode expiatório de quase todos os
contratempos econômicos que ocorriam no país.
Parece pouco, mas não é. Saímos da berlinda graças a uma
conjunção de fatos tornados públicos e, também, à nossa atuação
enquanto categoria. Quanto aos fatos tornados públicos, basta
lembrar a sucessão de quadrilhas presas ou desmascaradas nos
últimos tempos, envolvidas com crimes relacionados ao comércio
de combustíveis. O que se viu é que no mar de irregularidades
não estavam mergulhados Revendedores, e sim policiais, fiscais,
políticos, grandes investidores e até mesmo membros do
judiciário. A população foi, então, mudando seus pontos de
vista, deixando de encarar o Revendedor como o causador das
mazelas que afligem nosso mercado. Some-se a tudo isto a firme e
contínua ação de nossa categoria, através dos Sindicatos e da
Federação, que enfrentaram pronta e duramente as acusações
levianas que nos faziam. Nossa categoria soube se impor de forma
legítima, fazendo desaparecer a aura negativa que parecia cercar
o Revendedor de Combustíveis.
Vencemos uma batalha. A guerra continua: temos que lutar por
nossa sobrevivência comercial, nos adaptar aos novos tempos e
costumes (está aí a “febre” pelos carros flex e a chegada do
biodiesel ao mercado, que não nos deixam mentir) e,
especialmente, zelar para que nosso setor não seja esmagado sob
o peso das poderosíssimas Distribuidoras, cuja ganância não
parece ter fim. Em 2005 mesmo estivemos cerrando fileiras entre
nós, Revendedores, para denunciar a ação daninha dos pretensos
“postos-Escola” (que na verdade vêm sendo biombos para que as
Companhias atuem ilegalmente em nosso segmento), e para deter o
avanço dos “Postos de Abastecimento” que vêm inviabilizando a
revenda de diesel, e cujo maior exemplo são as nefastas unidades
do “projeto Cais”, da BR.
São situações assim que demonstram categoricamente o quanto são
importantes as entidades representativas tais como o
Sindestado-RJ e organizações co-irmãs. Não se iludam: não fossem
tais entidades, a força esmagadora do mercado já teria
aniquilado a todos nós, erradicando para sempre a Revenda como a
conhecemos. Teríamos sucumbido sob o peso das “grandes
bandeiras”, cujo maior sonho é nos ter, no máximo, como
gerentes, jamais como empresários.
Mas falávamos que a guerra continua, e cabe lembrar que temos
diante de nós todo um quadro de incertezas e indefinições ainda
por serem vencidas. É o caso, por exemplo, do gás natural. Bem
sabemos que a instalação de um Posto de GNV é algo
particularmente oneroso, e que já se foi o tempo (embora
recente) em que ter um estabelecimento do gênero era sinônimo de
lucros gordos, líquidos e certos. Pois bem, o segmento do GNV
passou por turbulências em 2005, com os governos federal e
estadual polemizando sobre a capacidade de o Brasil se manter
abastecido. Quem quer que esteja com a verdade, o certo é que o
clima de inquietação se instaurou, hoje já não havendo uma
certeza cristalina a respeito do acerto em se investir em GNV.
Eis aí um daqueles casos típicos, que tão bem ilustram o quanto
nosso mercado é móvel, cheios de surpresas e imprevistos. Mais
do que em inúmeros outros setores de atividades empresariais, na
Revenda de Combustíveis não se pode falar em certezas absolutas.
Podemos, no entanto, lembrar aos colegas da importância de nos
mantermos unidos para melhor enfrentar as dificuldades diante de
nós.
De resto, fica nosso sincero e fraterno abraço, e os votos de um
excelente 2006 para todos, num mundo com mais paz e justiça
social e econômica.
[Editorial da Edição nº
75 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ]