Uniforme de frentistas
gera polêmica
Presidente do Sindestado-RJ
diz que nova lei é desnecessária
Em sua edição de sexta-feira, 26 de agosto, o jornal “O Dia”
publicou artigo do presidente do Sindestado-RJ, Ricardo Lisbôa
Vianna, contestando o projeto de lei do deputado federal José
Divino (PMDB) sobre a vestimenta adequada às mulheres
frentistas. Dias depois, o projeto viria a ser apreciado em
Brasília. “Lamentavelmente é comum a coisificação da mulher,
cujo corpo é exposto como apelo sexual e comercial, utilizado em
anúncios ou estratégias de vendas”, argumentou o deputado.
“Exemplo disso é a proliferação de lava-jatos em que se procura
atrair a clientela mediante a execução de serviços por moças
sumariamente vestidas. As empregadas são submetidas à condição
de mero objeto, o que coloca em risco sua saúde e segurança,
pelas peles expostas no manuseio de combustíveis e outros
produtos químicos”.
Por sua vez, o presidente do Sindestado-RJ ponderou que embora
louvável por sua intenção de coibir abusos contra a dignidade de
mulheres frentistas, seria absolutamente desnecessária lei nesse
sentido. “A legislação trabalhista já dispõe, há muito tempo,
sobre os uniformes dos trabalhadores em cada atividade. Há toda
uma série de requisitos, que visam proteger a segurança e ao
bem-estar do funcionário. Já existe, portanto, o aparato legal
necessário”, assinalou Ricardo Lisbôa Vianna. E prosseguiu:
“O grande problema de projetos assim é que eles têm uma
assustadora aura de intervenção sobre a Revenda de combustíveis.
Nos últimos anos nosso setor tem sido alvo de incontáveis
propostas legislativas, que se somam a um torvelinho de
Resoluções, Normas e Portarias municipais, estaduais e federais,
visando disciplinar o mercado nos mínimos detalhes.
“Se o acúmulo de regulamentos resolvesse, estaríamos no melhor
dos mundos. Na verdade, nunca enfrentamos tantas turbulências,
irregularidades e situações de competição desleal como hoje. A
febre legislativa não raro chega a aberrações, como a proposta
de que todos os postos de combustíveis no Rio fossem obrigados a
vender gás natural. Pouco importa se a tubulação de gás passa
perto, se o posto tem pista suficiente e se o Revendedor tem
dinheiro para investir nos equipamentos.
“Mas voltemos aos uniformes. Nosso Sindicato tem insistido na
tese de que só sobreviverão comercialmente os Revendedores que
se mantiverem atualizados e oferecendo um mix competitivo. O
dono de Posto tem que ter seu foco no consumidor, e este exige o
binômio qualidade e preço. Neste sentido, a boa apresentação dos
funcionários tem papel importante. E por certo passa longe de
roupas apelativas. Pelo contrário: quem recorre a esse tipo de
expediente lamentável faz um anti-marketing. Só não precisamos
de mais nenhuma lei para mostrar o óbvio”.
[Matéria publicada na Edição nº 72 do JORNAL
DO SINDESTADO-RJ]