Turbulências
na rota do GNV
As turbulências no cenário da comercialização do gás natural
no Brasil parecem estar longe de acabar. Se por um lado aqui no
RJ o governo estadual prossegue impulsionando a plena ampliação
das redes, a opinião de Brasília é bem outra. O governo federal
tem alertado para uma crise no abastecimento de gás dentro de
dois anos, ainda mais depois da crise ocorrida na Bolívia,
grande fornecedora do combustível para o Brasil.
Ainda recentemente o presidente da Petrobras, José Sérgio
Gabrielli, ao discorrer sobre o plano de negócios da empresa
para o período 2006-2010, admitiu que a companhia pode vir a
desestimular o uso do gás natural em indústrias, comércio ou
veículos. Ressaltou que, embora as usinas térmicas venham a ter
prioridade entre os usuários do gás, o combustível deverá sofrer
aumentos para os demais usos. "O Brasil não suporta ter um
mercado de gás crescendo 20% ao ano", disse. Segundo as
projeções da Petrobras, o Brasil estará consumindo 99,3 milhões
de metros cúbicos de gás por dia em 2010, volume 28% maior que o
estimado no plano de negócios feito em 2003 pela companhia.
Por sua vez, o senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) manifestou
preocupação com a posição assumida pela Petrobras. O senador
reconhece a importância do GNV para as usinas termelétricas, mas
não considera o desestímulo uma "alternativa razoável".O
problema não estaria, de acordo com Tourinho, no aumento do
preço do gás, mas na intenção de desestimular o uso do GNV —
especialmente pelos motoristas de táxi. O parlamentar lembrou
que os taxistas foram pioneiros no uso desse combustível em
Salvador. Ele citou o exemplo do Proálcool, quando os motoristas
foram estimulados a trocarem os motores de seus carros e,
depois, o programa foi abandonado.
Em meio a todo esse quadro, não é de se estranhar que, enquanto
os carros flexfuel venham disparando nas vendas, o volume de
conversões de carros para gás caiu para a metade em junho e
julho. Segundo o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), o
volume em julho, por exemplo, foi de 11.611 conversões — muito
aquém das 20.800 conversões feitas em março, ou as 22.941 feitas
em abril.
[Leia a íntegra da matéria na edição impressa
do JORNAL DO SINDESTADO-RJ nº 72]