Estado do Rio comemora 300.000 veículos movidos a gás natural
Já devidamente consagrado como pioneiro e líder nacional no segmento de GNV — com cerca de 40% do mercado brasileiro —, o Estado do Rio de Janeiro parece estar pronto a alcançar novas metas de peso. Agora mesmo, em meados de fevereiro, a governadora Rosinha entregou em solenidade o certificado de registro número 300 mil, concedido aos donos de veículos que usam o gás natural veicular (GNV). A cerimônia ocorreu no Palácio Guanabara, com as presenças do secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, e do presidente do Detran, Hugo Leal.
Rosinha lembrou que no momento em que o mundo se volta para a tomada de ações efetivas contra os efeitos da poluição atmosférica, a iniciativa do governo de incentivo ao uso do GNV representa uma medida das mais eficazes nesse sentido.
– Os veículos convertidos para GNV são capazes de reduzir a emissão de gases poluentes em até 70%, contribuindo para a melhor qualidade do ar em nossas cidades. Assim, o Estado do Rio de Janeiro também contribui com a limpeza de nossa atmosfera em total sintonia com os princípios do Protocolo de Kioto. Também assinei decreto constituindo uma comissão de alto nível para elaborar projetos envolvendo os chamados "créditos de carbono", comercializados em nossa Bolsa de Valores – disse a governadora.
Rosinha acrescentou que dentre os 300 mil veículos que usam o GNV está incluída toda a frota de táxi da capital, destacando que o uso do gás representa uma economia da ordem de 60% para os motoristas.
O taxista Samuel Santos do Nascimento, 37 anos, da Cooperativa de São Gonçalo, que recebeu o certificado, é um desses proprietários a reconhecer o benefício do GNV. Segundo ele, a mudança de combustível foi "a melhor coisa" que lhe aconteceu:
– A vantagem é enorme, principalmente porque que não preciso mais vir ao Rio para abastecer, já que São Gonçalo tem agora cinco postos de GNV. Estou economizando, em média, 400 reais – afirmou.
Rosinha ressaltou que o estado é um grande impulsionador do projeto de ampliação do uso de gás natural no país.
– O GNV já representa 19% da matriz energética do estado, enquanto que no país a média está em 7% – destacou Rosinha.
Wagner Victer recordou que até 1998 o estado contava com apenas seis mil automóveis convertidos. "Hoje, com a entrega do certificado de registro, 300 mil veículos no Estado estarão utilizando este combustível, o que representa praticamente 40% do consumo deste combustível em todo país. Com estes números o estado do Rio, caso fosse um país, seria a sétima frota mundial", informou o secretário.
Impulso adicional foi dado no dia 25 de fevereiro, quando o governo do estado apresentou a primeira viatura da Polícia Militar — um VW Gol do 4º BPM (São Cristóvão)— movido a GNV, como ponta inicial de uma série de 300 novos veículos do tipo, que será estendido inicialmente a cinco batalhões – um na Zona Norte e quatro situados na Zona Sul.
- O benefício maior desse projeto será a redução do nível das emissões de gases poluentes na atmosfera, como determina o Protocolo de Kioto que entrou em vigor este mês. Também promoverá a redução acentuada nos gastos mensais com combustíveis para a polícia. Estes 300 carros da polícia, a serem convertido ao gás natural, promoverão uma economia de aproximadamente R$ 250 mil mensais nos gastos com combustíveis que a Polícia Militar tem com toda a frota composta por 3 mil veículos - explicou Wagner Victer.
O diretor geral de Apoio Logístico da PM, coronel Samuel Dionízio, destacou que o kit utilizado na conversão tem o Certificado Ambiental Para Uso de Gás Natural em Veículos Automotores (CAGN) do Ibama.
Wagner Victer anunciou que os próximos projetos de conversão de viaturas serão levados à Polícia Civil e ao Corpo de Bombeiros.
Mercado nacional é extremamente promissor
O Revendedor mais atento aos movimentos do mercado precisa prestar atenção redobrada: no Brasil, os veículos "flex" (aqueles que funcionam com diversos combustíveis — principalmente gasolina, álcool e GNV) vêm constituindo um grande fenômeno de mercado, e em apenas dois anos desde que surgiram no cenário nacional já caminham a passos largos para a liderança na procura dos compradores. É isto mesmo. Dos modestos 7% do mercado (84 mil carros) conseguidos em 2003, os veículos flex pularam para 26% da fatia dos carros leves de zero quilômetro em 2004 (quando o total de unidades comercializadas saltou para vertiginosas 379 unidades vendidas), e agora em janeiro já batia a casa dos 31 por cento.
[Matéria publicada na Edição nº 67 do JORNAL DO
SINDESTADO-RJ / fevereiro de 2005]