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Editorial

Olhar panorâmico


Por Ricardo Lisbôa Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ

Já se tornou lugar comum aquele tipo de comentário segundo o qual a Revenda, nos últimos anos, veio a se tornar uma atividade inteiramente diferente daquela exercida pelo antigo “dono de posto”, que praticamente só precisava se preocupar em manter os tanques cheios e em acompanhar as mudanças de preços tabeladas pelo governo. Não é preciso se estender muito: os próprios Colegas sabem, muito bem, o emaranhado de providências, exigências e dificuldades que atualmente rondam o Revendedor em seu dia-a-dia. 

As aberrações têm sido tantas e tamanhas que, pelo menos, começamos a notar, aqui e ali, uma leve disposição de setores sociais e políticos, e da própria imprensa, no sentido de compreender que o Revendedor não é, afinal de contas, aquele demônio tão odiado. Aos poucos, a verdade está vindo à tona. Agora mesmo, o público consumidor acaba de receber o impacto da notícia de que a gasolina que adquire é formada 59% por impostos, restando apenas 41% de compostos orgânicos, frete, produção e margens de comercialização. É uma tremenda aula de química. Uma aula perversa, mas absolutamente verdadeira. Mais: o levantamento feito pelo companheiro Aldo Guarda, de São Paulo, mostrou que na década de 1950 os impostos tinham impacto de apenas 4% sobre o preço dos combustíveis — justo naquele tempo, em que o Brasil tinha que importar quase toda a gasolina que utilizava.

É importante registrar que esta notícia veio à tona através da grande imprensa, foi comentadíssima pela sociedade e, apesar disto tudo, não recebeu nem um comentário sequer do mesmo presidente que um ano atrás chamou a todos nós, Revendedores, de malandros. Ainda falta aos nossos governantes, em geral, a boa prática de vir a público reconhecer seus erros, mas estamos certos de que este dia não tardará.

Mas voltemos aos preços: ou nos conscientizamos todos de que as margens têm que ser verdadeiras (isto é, que mantenham a viabilidade de nossos negócios), ou iremos sucumbindo, um a um, sob a força das grandes Companhias. Esta reação é urgente, e depende de todos nós. Todos. É preciso conversar com o seu vizinho, convencendendo-o de que uma guerra de preços no atual estágio em que estamos é, invariavelmente, suicídio comercial.

Nossas preocupações, porém, não se esgotam hoje em dia apenas na questão das margens, embora elas sejam as mais gritantes. Temos uma série de questões a serem comprendidas e trabalhadas, tais como as providências para a adequação ambiental e o cumprimento das intermináveis exigências que são criadas a cada instante, como por exemplo a obrigatoriedade do Plano Profissiográfico Previdenciário (PPP), adequações de nossas empresas ao novo Código Civil, e contínua observação às novas tendências do mercado, como é o caso do Gás Natural Veicular.

Por último, um alerta. Não basta ter uma visão panorâmica do quadro. É preciso analisá-lo, monitorá-lo permanentemente, para tirar estratégias individuais e coletivas que visem a nossa sobrevivência comercial. Porque não se iluda o leitor: quem, como a maioria de nós, depende integralmente da Revenda de Combustíveis para sustento próprio e de seus familiares, vive como se estivesse numa selva cheia de perigos. Cada dia a salvo é um mérito, e o dia seguinte não se sabe. Portanto, una-se a nós, participe, freqüente o Sindestado-RJ, na Sede ou na Delegacia Regional mais próxima de você. Se nunca o fez, faça-o agora, aproveitando que estamos iniciando uma nova gestão. Vamos caminhar juntos. Nosso Sindicato existe exatamente para isto.

 

 
     
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