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Sindestado se mobiliza pela criação do
Selo de Qualidade 

Um dos pontos de partida é a bem-sucedida experiência dos Revendedores da região paulista de Campinas 



O Sindestado-RJ caminha a passos largos para a implantação, no Estado do Rio de Janeiro, de um Programa de Qualidade de combustíveis. Antecedida por cuidados técnicos para a análise dos produtos e acompanhada por uma campanha de esclarecimento à população, a iniciativa envolverá o lançamento de um Selo de Qualidade, a ser ostentado pelos Postos que aderirem ao programa. O Selo funcionará como uma referência para os consumidores, indicando onde é possível abastecer com segurança.

Nos últimos tempos, experiências do gênero começaram a ser desenvolvidas — com resultados animadores — em Campinas, Minas Gerais e Alagoas. Atento a isto, nosso Sindicato está iniciando uma série de contatos com os promotores desses programas, para conhecer mais detalhes e tirar dúvidas acerca da operacionalização de cada sistema. Primeira parada: Campinas, no interior de São Paulo. Lá, com total apoio do Sindicato da região (o Recap), a entidade SP Combustíveis (Associação dos Revendedores de Derivados de Petróleo e Afins no Estado de São Paulo) deflagrou e vem conduzindo o Programa de Monitoramento da Qualidade (PMQ), que teve como ponto de partida a Campanha Contra o Combustível Adulterado, desenvolvida pelo Recap com cerca de 400 postos monitorados e conseguindo resultados extremamente positivos junto a autoridades e principalmente, junto aos consumidores.

Para detalhar o funcionamento do sistema em vigor na região de Campinas, o presidente do Recap, Emílio Martins, acompanhado pelo assessor jurídico Gustavo Tavares, recebeu em janeiro na Sede do seu sindicato o presidente do Sindestado-RJ, Ricardo Lisbôa Vianna, e o diretor Alexandre Boldrin. Emílio explicou minuciosa e didaticamente, com riqueza de detalhes, como foi a implantação e como está sendo feita a manutenção, pela SP Combustíveis, do Programa de Monitoramento da Qualidade.

Emílio discorreu, por exemplo, a respeito dos cuidados com a análise dos produtos. Para fazê-los, a SP Combustíveis recorre ao respeitado laboratório Araruá, que tem como clientes distribuidoras como a Texaco, Ipiranga, Esso, Agip, Shel e YPF, entre outras. São feitas análises laboratoriais nos tanques e em todos os combustíveis comercializados pelos Postos participantes do sistema. Para garantir maior credibilidade ao PMQ, veículos climatizados e visualmente identificáveis como sendo parte do Programa percorrem os Postos continuamente, recolhendo amostras-testemunha dos combustíveis. Estas amostras são levadas para os testes laboratoriais, que são feitos à razão de 3.300 por mês — para se ter uma idéia, no período entre 20/11/2002 a 31/12/2003 foram feitos 23.020 testes de gasolina; 11.510 de AEHC, e 5.755 de óleo diesel. 

Outra ponta importante do PMQ diz respeito à conscientização da população. O lançamento do programa foi acompanhado por uma ampla campanha publicitária em toda a região, explicando aos consumidores como identificar se é ou não participante do sistema. Para reforçar os out-doors e as reportagens veiculadas nas rádios e jornais locais, cada Posto participante recebe um kit promocional com 500 folders explicativos, dez bottoms para uso pelos funcionários, dois banners e uma grande faixa, impressa em cores sobre lona vinílica, indicando a filiação do estabelecimento ao PMQ. Tudo dentro de uma mesma programação visual — que por sinal Emílio ofereceu, gentilmente, para utilização também aqui no Estado do Rio de Janeiro.

— É certamente menos uma etapa que teremos para percorrer em nosso caminho — agradeceu Ricardo Lisbôa Vianna, entusiasmado com o funcionamento do sistema no interior paulista. — De qualquer forma, há toda uma série de providências a serem tomadas para que possamos ter um programa destes no Estado do Rio.

Num primeiro momento, a intenção do Sindestado-RJ é de conseguir a chancela da ANP e da Universidade Federal Fluminense (UFF) para as análises laboratoriais — que poderiam ser acompanhadas por técnicos da Agência e por professores e estudantes universitários de Química, por exemplo. Nosso Sindicato poderá providenciar um laboratório para os testes ou, como ocorre em São Paulo, recorrer a um laboratório particular já existente. Tanto num caso quanto no outro, terá que ser decidido como se dará a rotina de recolhimento das amostras dos combustíveis nos Postos.

— Há muito o que fazer, mas certamente o esforço irá ser compensador — comentou Ricardo. — A instituição de nosso Selo de Qualidade servirá para combater a discriminação e o preconceito da população com relação aos Postos, que em geral se ressentem da falta de um "atestado de idoneidade". Principalmente os Postos de bandeira branca sofrem com este tipo de situação, já que expressiva parcela de consumidores admite ter medo de abastecer num Posto "sem bandeira". Este medo é inclusive estimulado pela propaganda das grandes Distribuidoras, que espertamente lançaram "programas de qualidade". Tais "programas" na verdade estão é interessados em saber se o Revendedor se mantém fiel à Companhia: com a desculpa de verificar a qualidade dos produtos, as Distribuidoras ficam monitorando os marcadores químicos, para saber se o Revendedor está ou não comprando combustível de fora, o que necessariamente nada tem a ver com qualidade.



 
     
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