Editorial
Um denso nevoeiro
Por Ricardo Lisbôa
Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ
Pelo balançar da carruagem, não se iludam: é muito
difícil, quase impossível, que a Reforma Tributária venha a
resultar em algo concreto para a moralização do mercado de
combustíveis em nosso país. Constatar isto é algo muito
triste para nós, Revendedores, que tanto sonhamos com uma
Reforma de grande alcance, que instituísse mecanismos
eficientes para coibir a sonegação de impostos e eliminar o
clima de permanente guerra desleal de preços entre os Postos
– dois dos maiores problemas que afligem o nosso setor. Mas o
fato é que a Reforma que se apresenta no cenário à nossa
frente pode ser tudo, menos a ferramenta moralizadora que
desejávamos.
Cabe reafirmar: defendemos o imposto único e monofásico, de
forma a evitar as graves distorções que ocorrem no mercado de
combustíveis com a insuportável sonegação do ICMS, CIDE,
PIS, COFINS e etc.... Para a Revenda, tanto faz se a cobrança
do imposto se dará na origem ou no destino do produto: isto é
algo que interessa diretamente aos governadores, e só. Na
verdade, toda a discussão em torno do debate sobre a cobrança
na origem ou destino será resolvida na queda de braço do jogo
político. Trata-se de disputa que envolve dois blocos de
governadores: de um lado, os que defendem a tributação na
origem; do outro, os que querem a tributação no destino. Tanto
um lado quanto outro apenas estão defendendo a engorda dos
caixas estaduais. Vencerão os competidores que tiverem mais
força. Única e exclusivamente isto.
Temos então os governos estaduais disputando entre si para
ficarem com a maior fatia da carga tributária. Além deles, há
a ganância do governo federal, que não abre mão, por exemplo,
dos recursos da CIDE e da CPMF. Criados em caráter provisório,
como todos devem se lembrar, e mantidos permanentes, como todos
nós sabemos. E devidamente batizados como “contribuição”,
e não como “imposto”, para que a União não precisasse
repartir nada com os estados e municípios.
As situações citadas acima são apenas breves exemplos de
como questões dessa natureza vêm sendo conduzidas em nosso
país: cada esfera de governo defendendo o seu quinhão, não
importando se permanecerão intocados os paradoxos e absurdos
tributários que fizeram desandar o mercado de combustíveis.
O conflito de interesses entre instâncias governamentais
também vem tornando caótica a vida do Revendedor no que diz
respeito ao cumprimento das disposições de proteção ao meio
ambiente. Reina uma imensa confusão quanto a este tema, já que
falta clareza a respeito de quem tem a competência para quê: o
IBAMA briga judicialmente com os sindicatos para garantir o
direito de cobrar taxas ambientais, enquanto que vem o órgão
estadual (no nosso caso, a Feema) e interpreta a legislação a
seu modo, afirmando ser a legítima instância para decidir
sobre o assunto; e muitas vezes vem, ainda, o órgão ambiental
municipal e faz exigências de outra maneira. Não é raro,
hoje, nos depararmos com casos assim: colegas Revendedores
vivendo verdadeiros pesadelos para manter seus Postos em dia com
obrigações ambientais ditadas, simultaneamente e em conflito
mútuo, pelos órgãos ambientais federal, estadual e municipal.
Em resumo vivemos um difícil momento nacional, no qual os
representantes do poder lutam apenas pelos seus interesses
diretos, esburacando a estrada do desenvolvimento econômico e
deixando pequenos e médios empresários, como nós, sofrendo
toda sorte de solavancos em meio a um nevoeiro de indefinições
e incertezas.