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Governo atira no alvo errado

A Revenda de Combustíveis foi surpreendida, no final de maio, com declarações agressivas do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que criticou os donos de Postos por não terem repassado aos consumidores, no mesmo percentual, a redução de preço de 10% da gasolina determinada em 30 de abril. Entre os trechos mais polêmicos da fala do presidente, a Agência Brasil destacou, no noticiário do final da tarde de 26 de maio, que Lula teria dito que “não adianta o governo ter boa vontade, se dentro da sociedade existem pessoas que se acham mais espertas que outras para ganhar dinheiro”; e também “não adianta os produtores serem sérios e reduzirem os preços, o governo autorizar a redução, se, na cadeia produtiva, você tem malandro que não deixa a redução chegar na bomba”.

Assim que foram divulgadas as declarações do presidente, a Fecombustíveis, o SINDESTADO-RJ e entidades co-irmãs em todo o Brasil se pronunciaram ao governo, à Imprensa e à população em geral, não apenas manifestando sua estranheza e repúdio ao tom das críticas de Lula, mas também prestando importantes esclarecimentos a respeito dos fatores que influenciam na composição dos preços dos combustíveis em nosso País. Nota oficial de nossa Federação assinalou, por exemplo, que “o chamado setor de combustíveis não é composto exclusivamente pelos postos de gasolina. Antes da gasolina chegar nas bombas, ela passa pela refinaria, pelo transportador, pelos usineiros e pelo distribuidor. No entanto, por ser o último segmento da cadeia, a revenda (onde se situam os Postos) é injustamente responsabilizada por qualquer desequilíbrio do setor”.

Além de distribuído à Imprensa e encaminhado a lideranças políticas de âmbito estadual e nacional, o manifesto do SINDESTADO-RJ (leia aqui a íntegra do texto) foi especialmente remetido ao próprio presidente da República, juntamente com um Ofício de encaminhamento que sublinhava o passado de sindicalista de Lula, esperando que ele considerasse nosso manifesto como “(...) documento que expressa a visão de toda uma categoria, compromissada com a existência de um mercado justo e competitivo, e responsável por expressivos indicadores de geração de empregos e recolhimento de impostos em todo o Brasil”. E ainda: “Justamente por estarmos cientes da nossa importância no contexto econômico e social do país, não podemos sob hipótese alguma aceitar que nos sejam imputadas, de forma genérica, acusações graves e infundadas como as que foram emitidas por Vossa Excelência”.

Enquanto isso acontecia, já no dia seguinte ao pronunciamento do presidente a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, pressurosamente corria a anunciar uma fiscalização rigorosa nos Postos que, segundo o entendimento do governo, estiverem agindo de forma danosa à economia popular. Para tanto, a ministra anunciou que pretende fazer e manter um sistema de rastreamento de preços e custos, para identificar onde ocorrem os problemas.

Como saldo de tudo isto, a Revenda tem pelo menos um motivo para lamentar – e diversos para festejar. De se lamentar, por certo, foi a postura governamental de disparar de forma tão deselegante (e errada) sobre os Revendedores, num demagogismo insustentável e irresponsável, por tudo o que já foi dito a partir daquele momento. Por outro lado, há para festejar o fato de que, a partir das declarações do presidente e da ministra, o governo tem total responsabilidade de apurar – e tornar pública – a real situação da composição de preços dos combustíveis no Brasil, que é algo há muito desejado por nós, da Revenda. Por sinal, um dos fatores que logo veio à tona foi justamente a voracidade arrecadatória dos governos: os impostos, descobre agora a população, respondem por nada mais, nada menos, que 57% do preço dos combustíveis no Brasil. E este é só o início de um momento que, ao que tudo indica, terá a marca da transparência, a bem do interesse público. Esperamos que os problemas sejam claramente identificados, para que se tornem, com justiça, alvos a serem atingidos.

 

 
     
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