Editorial
Nos parlamentos, a
esperança
Por Ricardo Lisbôa
Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ
Nos últimos tempos, tantas e tamanhas vezes têm sido o
Revendedor de Combustíveis tomado como bode expiatório em
nosso país, que acabamos todos nos acostumando a atuar sempre
na defensiva. A todo instante estamos sendo incriminados por
alguma autoridade do executivo municipal, estadual ou federal,
ou mesmo por membros do Ministério Público: sobre os ombros
de todos nós, Revendedores, parecem pesar atualmente todas as
culpas, por praticamente todo e qualquer problema ou
irregularidade que ocorra. Subiu a passagem de ônibus ? A
culpa é do dono do Posto de Gasolina. Subiu o preço do pão
francês ? A culpa é do dono do Posto de Gasolina. O litro de
leite, o colégio das crianças, os produtos da feira estão
mais caros ? A culpa é do dono do Posto de Gasolina. E por
aí vai, numa listagem sem fim. E sem nexo.
O pior é que tal enfoque é levado a sério – e muito a
sério – justamente por aqueles cujos cargos e atribuições
deveriam servir como parâmetros de serenidade, isenção e
urbanidade. Agora mesmo a Revenda acaba de sair de um curto,
porém duro período em que se viu, uma vez mais, sob os
holofotes da indignação pública e do interesse da mídia,
devido a declarações totalmente infelizes, partidas do
Presidente da República e, em seguida, da Ministra das Minas
e Energia. Em ambos os casos, os problemas abordados tinham um
culpado de plantão – para não variar, o dono do Posto de
Gasolina. E estes são apenas exemplos mais recentes.
Pressurosas em atacar os Revendedores, as mesmas autoridades
que têm por hábito nos incriminar costumam ser tímidas ou
inoperantes quando se trata de efetivamente colocar o dedo na
ferida. Vamos defender de fato a economia popular ? Pois em
lugar de semear o ódio popular contra os pequenos e médios
empresários que empregam 300.000 pessoas em seus Postos de
Combustíveis, recolhem impostos e disputam melhores preços,
que tal esmiuçar a fundo os problemas do setor de
combustíveis no Brasil, revelando de público detalhes acerca
da cadeia de formação de preços, irregularidades, crimes,
sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e adulteração
de produtos ? Que tal ? Ou ainda: que tal pararmos um instante
ao menos de atacar os donos de Postos de Gasolina, e
prestarmos atenção na atitude predatória das grandes redes
de supermercados, as quais, beneficiando-se do absurdo da
substituição tributária, multiplicam seus lucros
astronômicos a olhos vistos avançando sobre a Revenda de
Combustíveis, indiferentes à quebradeira que ocasionam no
mercado ? Que tal ?
Pois bem, em meio a tudo isso, é com grata satisfação que
constatamos grandes esperanças para nós, honestos donos de
Postos. Duas delas – marcantes e recentes —, surgidas a
partir de parlamentares: no âmbito federal, temos a CPI dos
Combustíveis, em pleno andamento, proposta e presidida pelo
deputado federal Carlos Santana (PT-RJ), que esperamos que
sirva como saneadora do setor em todo o país; e aqui, no
âmbito do Estado do Rio de Janeiro, fomos gratamente
surpreendidos com a proposta da deputada estadual Cidinha
Campos (PDT-RJ), no sentido de impedir que supermercados
continuem se beneficiando da imoral compensação tributária
que tornou, para eles, uma mina de ouro a invasão da Revenda
de Combustíveis. É verdade que temos, nós Revendedores, o
orgulho de contar historicamente com o firme apoio, também,
de outros parlamentares, em diversas lutas em defesa de nossa
categoria. Citamos estes dois casos – do deputado Carlos
Santana e da deputada Cidinha Campos – porque são mais
recentes, e de certa forma simultâneos. Ambos, igualmente,
bem-vindos.
São esperanças assim que vêm brotando especialmente em
casas legislativas (embora não apenas nelas), e que nos
indicam que pode haver, sim, uma luz no fim do túnel. Uma luz
de esperança em dias melhores, de reconhecimento por quem
trabalha corretamente, cumpre com suas obrigações sociais e
empresariais e insiste, dia após dia, na construção de um
Brasil mais solidário e com maior justiça social e
econômica.