Cidinha Campos quer
acabar com a farra dos supermercados
No que depender da deputada estadual Cidinha Campos
(PDT-RJ), a farra da compensação tributária do ICMS, feita
pelos supermercados que avançam sobre a Revenda de
combustíveis, está com os dias contados. No início de
junho, a deputada apresentou na Assembléia Legislativa uma
proposta de Emenda ao Projeto de Lei 407/2003, obrigando os
estabelecimentos que comercializarem, entre outras
mercadorias, combustíveis e lubrificantes, a terem CNPJ e
regime de escrituração específica para esta atividade. Em
outras palavras: pela proposta de Cidinha Campos, se um
supermercado quiser abrir um Posto de Combustíveis,
precisará se constituir como empresa à parte, dedicada
especificamente ao ramo. Será o fim da “farra do ICMS”,
como tristemente já se tornou conhecido o artifício de
substituição tributária que nos últimos anos tem sido o
paraíso dos lucros para os poderosos grupos de supermercados
– e o inferno da quebradeira para inúmeros Revendedores,
que não têm como competir com o rolo compressor de uma
concorrência cevada de benefícios fiscais absurdos, como é
o caso.
Tão logo tomou conhecimento da proposta apresentada pela
deputada, o SINDESTADO-RJ partiu não apenas em defesa da
aprovação, mas também para congratulações públicas pela
atitude da parlamentar: nosso Sindicato distribuiu uma Carta
Aberta a todos os deputados estaduais, explicando a
importância da atitude de Cidinha Campos – e da necessidade
de aprovação da proposta (que a esta altura depende da
governadora Rosinha ), assim como oficiou diversas lideranças
políticas de âmbito nacional a este respeito.
O mecanismo proposto por Cidinha Campos é tão enxuto quanto
eficaz: ele simplesmente formaliza a instituição de uma
empresa para cada ramo específico. Um dispositivo letal para
os supermercados que estão invadindo a Revenda de
Combustíveis.
A deputada conta que a idéia surgiu a partir de uma conversa
familiar, ocorrida tempos atrás com uma sobrinha estabelecida
em São Paulo como Revendedora. Ela comentou com Cidinha
alguns dos problemas que vinham afligindo nosso setor, tais
como guerras de preços, adulterações de produtos e
concorrência desleal por parte de supermercados. O projeto da
deputada começou a ganhar forma mais recentemente, quando
Cidinha, que atualmente preside a Comissão de Defesa do
Consumidor da Assembléia Legislativa, passou a fazer
inspeções em campo, percorrendo o comércio para averiguar
irregularidades. “Numa dessas sindicâncias, me deparei com
uma situação absurda, na Sendas da Pavuna”, conta Cidinha
Campos. “Apesar de o prédio do supermercado ficar num local
e o posto de gasolina ficar num outro terreno, sem ligação
entre os dois, constatei que ambos os estabelecimentos tinham
o mesmo CNPJ. Foi ali, diante daquele verdadeiro absurdo, que
decidi que tinha que fazer alguma coisa para evitar
situações como esta”.
De família de comerciantes (o pai tinha um empório, e ela
própria teve uma padaria), a deputada assinala não ser
contra as tendências de mercado que naturalmente vão
surgindo e se impondo ao longo dos anos, desde que num
ambiente de concorrência sadia: “Vejo uma ação muito
depredadora dos supermercados com relação a outros tipos de
comércio, e não apenas com relação aos Postos de
Combustíveis” , diz a deputada. “ Os supermercados se
segmentaram demais, entrando de sola em todo tipo de
atividades. Já acabaram, por exemplo, com as peixarias, com a
maioria dos açougues, e se não forem freados, em breve
acabarão também com as farmácias. Com relação aos
combustíveis, é óbvio que para os supermercados deve estar
sendo um excelente negócio, caso contrário as grandes redes
não estariam por aí investindo pesado na abertura de mais e
mais Postos Revendedores”, completa Cidinha Campos.
Para expressar pessoalmente as contragulações com a
deputada, estiveram em seu gabinete na Alerj o presidente do
SINDESTADO-RJ, Ricardo Lisbôa Vianna, o 1º vice-presidente,
Ronald Barroso do Couto, além do secretário-executivo
Helênio Francisco de Souza. Ricardo Lisbôa Vianna aproveitou
a ocasião para informar à deputada que os supermercados,
aproveitando-se da situação de CNPJ único, prejudicam
também os trabalhadores que atuam como frentistas, uma vez
que eles são contratados como funcionários comuns dos
supermercados, não recebendo os pisos salariais de direito da
categoria, nem também os adicionais de periculosidade.
“Parabenizamos a deputada Cidinha Campos, e também ao
deputado Paulo Melo, relator da matéria, que incorporou a
Emenda ao texto original do Projeto de Lei, Projeto este que
foi aprovado por unanimidade pela Alerj”, comentou Ricardo
Lisbôa Vianna.
O SINDESTADO-RJ colocou-se à disposição da deputada Cidinha
Campos para promover uma ampla mobilização na Alerj, caso
necessário. É que a governadora Rosinha tem no máximo até
dia 27 de junho para sancionar o texto enviado pela
Assembléia. Se houver veto da governadora, o assunto voltará
aos deputados para nova votação. Nosso Sindicato está
solidário com a proposta de Cidinha Campos – inclusive para
fiscalizar e cobrar o cumprimento das novas exigências, assim
que estiverem em vigor. Estamos dependendo agora da
governadora Rosinha Garotinho.