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Editorial

Cuidado com acordos verbais

Por Ricardo Lisbôa Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ

A situação infelizmente faz parte da corrida rotina de todos nós: seja por pressa, por excesso de confiança ou– até mesmo – por constrangimento de exigir a assinatura de um documento, são comuns as situações em que o Revendedor acaba fechando algum tipo de acordo com sua Companhia sem ter nada mais do que a simples palavra de um gerente ou assessor. Trata-se de prazos, preços, descontos ou promoções apenas verbalmente, sem que se gere nenhum comprovante da negociação.

Quando tudo transcorre conforme o combinado, menos mal; porém, quando a Distribuidora não cumpre o prometido, o Revendedor invariavelmente cai no desespero, uma vez que seus recursos são limitados e suas contas e compromissos, muitos. Às vezes, de tão violento, o baque acaba levando o Colega a fechar as portas.

Como se trata de situação tão comum quanto grave, fica aqui o alerta: Revendedor, tenha sempre cautela e faça questão de registrar sempre, por escrito, todas as suas negociações com a sua Companhia. Não é difícil fazê-lo. Você pode redigir uma carta narrando a negociação e enviá-la (registrada, preferencialmente) para a Distribuidora, dando ciência do acordo firmado. Ou pode, também, recorrer a uma Ata de Reunião simplificada, com data, local, nome dos participantes e termos acordados. Disponibilizamos inclusive um modelo de Ata deste tipo em nosso site ( www.sindestado.com.br, na seção “Produtos”), que pode ser “baixado” para o computador do Colega, impresso, preenchido e assinado.

Sim, assinado. É aí, quase sempre, que surge o constrangimento: o Revendedor fica sem jeito de “mostrar desconfiança” para com o representante da Companhia, pessoa com quem ele lida a todo instante e com o qual muitas vezes estabelece até mesmo uma amizade. Pois bem: é preciso ter em mente que naquele exato momento de fechamento da negociação, o que está em jogo não é o convívio de duas pessoas físicas, mas sim a harmonização de interesses de duas pessoas jurídicas: o seu Posto e a sua Companhia.

Tenha em mente que aquele assessor tão seu amigo pode ser transferido, amanhã ou depois, para um lugarejo longínquo, e o funcionário que vier substituí-lo não será necessariamente tão simpático ou compreensivo com você. Ou ainda: pode ocorrer uma mudança na política estratégica da Companhia Distribuidora, ou meramente falta de interesse comercial, por parte dela, em manter o acordado.

De resto, tenha em mente que quando existe alguma negociação que realmente interessa às Companhias Distribuidoras, elas não têm o menor pudor de exigir tudo por escrito por parte do Revendedor. Se assim é, não há motivo para se sentir constrangido em cobrar o procedimento inverso. Ainda mais porque o representante, assessor ou gerente da Distribuidora são formalmente qualificados para responder em nome da Companhia Distribuidora – tanto assim que falam e negociam em nome dela.

Para não citar outros Colegas, cito uma situação pessoal. Um exemplo do risco que se corre quando de fecha um acordo apenas verbalmente. Cerca de seis meses atrás, tendo recebido sinal verde – verbalmente – da Ipiranga, quitei um imóvel que a Distribuidora havia financiado. A Gerência Comercial acompanhou todos os procedimentos, tendo sido inclusive deixado com eles, em mãos, o cheque de quitação de hipoteca. Após isto, no entanto, os setores comercial e jurídico a Ipiranga vêm se mostrando em desacordo entre si, quanto a detalhes da operação – e até hoje, simplesmente seis meses depois, a questão da hipoteca ainda está em aberto. Assim sendo, não posso lavrar a devida escritura, nem receber o valor do imóvel que negociei. Um problema e tanto. Mas é óbvio que tudo transcorreria de forma muito mais ágil e rápida se eu tivesse tido o cuidado de documentar por escrito o que havia tratado com os representantes da Ipiranga.

Assim, não duvide: só aceite negociar mediante documento comprovatório. Palavras, leva-as o vento. Uma breve Ata e duas assinaturas são melhor do que nada. Esteja certo de que agindo assim você poupará tempo, dinheiro, aborrecimentos – e diminuirá sensivelmente a sua lista de “surpresas” desagradabilíssimas.

 

 
     
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