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[Arquivo - JORNAL DO SINDESTADO-RJ - Edição 45 ]

Supermercados ampliam
avanço sobre a Revenda

Novembro de 2002 ficará marcado na memória de quem por acaso ainda tivesse dúvidas sobre o grau de interesse dos supermercados no setor da Revenda de Combustíveis: ao longo deste mês, a imprensa noticiou o portentoso ingresso do poderosíssimo Grupo Sendas em nosso ramo. Representando um investimento de R$ 127 milhões, o grupo anunciou seu projeto de operação de 35 Postos até 2004, sendo 12 de Gás Natural Veicular (GNV) – metade destes entrando em funcionamento ainda no final de 2002 –, tendo sido criada inclusive uma gerência especial para coordenar a florescente rede de Revenda de Combustíveis.

Para os super e hipermercados, nada mais natural: afinal, nos últimos anos eles têm sido muito bem-sucedidos em nosso País na invasão gananciosa, no pior estilo “rolo compressor”, sobre outros segmentos. Que o digam os milhares e milhares de pequenos empresários de armazéns, camisarias, lojas de calçados, padarias, açougues e farmácias – todos eles gradualmente esmagados pelo poderio econômico dos gigantes do varejo, que conseguem condições especialíssimas de negociação com fornecedores e governos, e podem sempre se dar ao luxo de vender determinados produtos a preços irrealmente baixos, atraindo assim a clientela e conseguindo compensar suas margens de lucros em outros produtos do seu extenso mix. Onde chega um super ou hipermercado, a quebradeira do pequeno comércio das vizinhanças é questão de tempo. Pouco tempo.

Tais efeitos, se já são desastrosos para açougues ou farmácias, são ainda piores quando se trata do nosso segmento. E isto porque, no caso do avanço sobre a Revenda de Combustíveis, os super e hipermercados contam ainda com um atrativo adicional: eles conseguem, graças a artifícios contábeis – propiciados pela ganância arrecadatória dos governos estaduais, que impõem um altíssimo preço de pauta dos combustíveis para efeito de cálculo de ICMS –, fazer generosas compensações de impostos em benefício próprio. Em outras palavras: o imposto pago a mais num litro de combustível consegue ser transformado em crédito tributário para o supermercado para a compra de outros produtos, que assim já chegam aos supermercados em condições de compra e venda mais vantajosas que para os demais comerciantes. Resultado da história: com Postos de Combustíveis, os supermercados ganham não apenas na comercialização dos próprios combustíveis, mas também na compensação de impostos – que lhes permite promoções de produtos a preços irrealmente baixos, atraindo a clientela e realimentando uma espiral de lucros que parece não ter fim.

Por tudo isto, notícias do avanço de super e hipermercados sobre a Revenda de Combustíveis são assustadoras por tudo o que representam de concorrência desigual e, mesmo, desleal.

 
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