|
Editorial
DESAFIOS
QUE ESTÃO AÍ
Por Ricardo Lisbôa Vianna,
presidente do SINDESTADO-RJ
|
Uma vez que há
negociações intersindicais relativas ao tema "Convenção
Coletiva" ainda em curso, no momento em que fechamos a presente
edição, prefiro deixar para abordar tal assunto num próximo
editorial. O momento é de concentração total no objetivo comum a
todos nós — empresários e trabalhadores da categoria econômica
—, visando a celebração de um acordo final. Por hora, além do
que já divulgamos em circulares impressas e em correspondências
eletrônicas, vamos nos restringir à reportagem que consta na
página 3 desta edição.
Nesta que é a centésima edição do nosso Informativo, gostaríamos
de ressaltar um tema que é de total interesse para todos os
Revendedores, embora quase nunca seja lembrado — principalmente
devido ao nosso corrido dia a dia como empreendedores, que nos
toma tempo e absorve nossas atenções. O tema que desejo destacar
aqui é a atenção que precisamos manter, com relação à infinidade
de projetos de Leis, Portarias e Decretos que, a todo instante,
são lançadas nos canais de tramitação municipal, estadual e
federal. Nosso país, sabidamente campeão mundial em quantidade
de leis, parece ter sido estranhamente brindado, nestes últimos
anos, com uma geração especial de homens públicos. São homens
cuja única e exclusiva atribuição parece ser produzir
obrigações, taxas, impostos e exigências (muitas vezes
estapafúrdias), preferencialmente penalizando grotescamente os
empreendedores.
É verdade que este é um mal, digamos assim, "geral", que afeta
pequenos, médios e grandes empresários estabelecidos no Brasil
nos mais variados setores. Mas, convenhamos, parece haver uma
certa predileção em atazanar o Revendedor de Combustíveis, quase
como se fosse um "convite" para que ele saísse de vez do
mercado.
Um exemplo recente — e contundente — diz respeito ao o Projeto
de Lei do Senado Nº 670/2007, ora em tramitação naquela Casa.
Ele dispõe que a emissão de cupom fiscal em cada operação de
venda de combustível nos postos de gasolina passe a ser
automática. Para tanto, os Postos ficariam obrigados a usar
equipamento ECF integrado ao equipamento medidor do fornecimento
de combustível da bomba abastecedora. A utilização da bomba
passaria a gerar automaticamente a emissão do cupom fiscal.
Tão logo tivemos conhecimento deste Projeto, oficiamos ao
Presidente da nossa Federação, alertando-o a respeito e
solicitando providências políticas e institucionais urgentes, no
sentido de barrar tal proposição. A questão é que, caso
aprovado, tal Projeto pode inviabilizar completamente — da noite
para o dia — dezenas de milhares de Postos de Combustíveis em
todo o país, dado o alto investimento necessário à
informatização completa dos sistemas de abastecimento de
combustíveis. Será uma verdadeira sentença de morte para os
pequenos Revendedores estabelecidos por todo o interior
brasileiro, cujas modestas galonagens mal são suficientes para a
mera sobrevivência comercial.
Argumentamos que, caso aprovado o PLS Nº 670/2007, só terão vez
as grandes redes revendedoras, e/ou as poderosas bandeiras das
companhias Distribuidoras. Serão os únicos com robustez
econômica capaz de suportar tamanhos desembolsos para cumprir as
exigências da Lei. Em suma: trata-se de mais um movimento em
favor da tão temida verticalização do mercado nacional da
Revenda de Combustíveis.
Um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. Parece um projeto
simplesmente "bom para o controle estatal", mas traz em si o
germe da destruição da nossa categoria, por requerer
investimento incompatível com a realidade da imensa maioria dos
Revendedores. Foi mais ou menos com esta toada que, anos atrás,
por pouco não foi implantado o self-service no Brasil,
verticalizando de vez o mercado.
Em suma, mesmo sem querer, nossos legisladores estão sempre
lançando algum novo e grave desafio para nossa sobrevivência
comercial. Precisamos ficar de olho, acompanhando cada projeto
proposto ou em tramitação, para não sermos surpreendidos com o
fim dos nossos empreendimentos, da noite para o dia, por conta
de uma simples canetada.
[Editorial da Edição nº
100 do JORNAL DO SINDESTADO-RJ]